O confronto direto das instituições às falcatruas no setor público, em conluio com o econômico, expõe lama aos olhos da sociedade. A dimensão dos fatos, ou parte dela, torna-se de conhecimento geral. Mas, certamente, essa não é a razão maior pela qual em 2017 o Brasil piorou 17 posições no Índice de Percepção de Corrupção (IPC), em relação ao ano anterior, despencando para a 96ª colocação entre 180 países avaliados pela Transparência Internacional.
O recuo acende alerta para a falta de reação à altura do que a população espera, apesar de inegáveis avanços. O trabalho da Lava Jato é gigantesco. O país está na pior situação do IPC dos últimos cinco anos porque o sistema de poder ainda é fortemente patrimonialista e tem sido competente para manter o interesse privado entranhado ao público, resultando em privilégios. É preciso atacar fatores estruturais.
A cena política brasileira perdeu o recato. O ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, lembra pontos agudos do quadro visto hoje: “Um presidente teve duas denúncias de corrupção e obstrução de Justiça, um ex-presidente condenado, outro que já foi denunciado criminalmente. Três presidentes da Câmara foram ou ainda estão presos. Idem, dois chefes da Casa Civil. Mais de um governador de Estado foi ou ainda está preso. A delação da Odebrecht envolveu 400 figuras políticas.” Não é de estranhar a piora do Brasil no ranking das práticas fraudulentas.
Mas há avanços que estimulam a persistência no combate a malfeitos. O próprio ministro Barroso assinala que uma “imensa quantidade de ricos delinquentes começou a evitar crimes e a colaborar com a Justiça”, o que ajuda a punir crimes do colarinho branco.
A mobilização popular contra a corrupção pode ser decisiva nas eleições deste ano. Será uma grande vitória para o país.