Alexandre Ruschi*
Pergunte a familiares e amigos quais os três maiores problemas da atualidade. Certamente, a dificuldade de conseguir trabalho estará entre eles. Quando nos deparamos com desafios complexos com esse, o bom senso sugere recorrer às experiências bem-sucedidas já existentes.
A melhor novidade para gerar trabalho e renda, com baixo investimento e ampla justiça social, tem 174 anos e mobiliza um em cada sete habitantes do planeta. Sim, o cooperativismo, testado, aprovado – mas não estimulado – como forma associativa eficiente e democrática. Gera 250 milhões de empregos em 100 países, distribuídos por 2,6 milhões de cooperativas.
Em agosto, quando se comemorou o Dia Mundial do Cooperativismo, relembramos que esta forma de associação tem adesão livre e voluntária; gestão democrática; participação econômica dos cooperados; intercooperação, e interesse pela comunidade. As 300 maiores cooperativas do mundo – dentre as quais cinco brasileiras – faturaram, em 2017, U$ 2,1 trilhões, o que equivaleria à nona maior economia do mundo, se constituíssem um país.
Cooperativismo é uma forma de associação que tem adesão livre e voluntária; gestão democrática; participação econômica dos cooperados; intercooperação, e interesse pela comunidade
No Brasil, agronegócio, saúde e crédito são alguns dos ramos em que o cooperativismo mais se destaca. Estima-se que responda por quase metade do PIB agrícola do país. Além disso, é brasileira a maior cooperativa de trabalho médico do mundo, que detém 37% do mercado nacional de planos de saúde.
Mas este tipo de associação também é indicado para profissões que estão se desenvolvendo, pois facilita o ingresso dos jovens no mercado de trabalho.
A crise econômica dos últimos anos agravou o desemprego no Brasil. Segundo os dados mais recentes, há 13,4 milhões de desempregados. A maior parte das novas vagas geradas nos últimos meses é informal. No cooperativismo, por outro lado, 11% do valor da quota é distribuída ao cooperado. A maioria das cooperativas tem fundos para férias, bônus de final de ano, planos odontológicos e de saúde, e seguro de vida aos cooperados.
Outro diferencial positivo é que em uma cooperativa de trabalho médico, por exemplo, não há intermediários entre pacientes e profissionais da medicina. Os dirigentes são médicos e suas gestões, portanto, alinhadas aos padrões éticos da medicina.
Até hoje, contudo, autoridades e sociedade desconhecem como funciona o cooperativismo. Talvez por isso ainda não tenham sido regulamentados os artigos 146 (item sobre adequado tratamento tributário ao ato cooperativo) e 174 (lei estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo) da Constituição Federal de 1988. Estão esperando o quê?
*O autor é médico