
Gláucia Perini Zouain Figueiredo*
Os vários tipos de câncer que acometem os menores de 19 anos de idade, em geral, não têm relação com fatores ambientais e não há como preveni-los. No entanto, têm alto potencial de cura, desde que diagnosticados em fases iniciais, quando as chances de cura costumam ser maiores e as sequelas menores. A Campanha Nacional Setembro Dourado chama a atenção de todos para a necessidade do diagnóstico precoce da doença.
Cerca de 12.500 novos casos ocorrerão em 2018 no Brasil, onde também constitui a primeira causa de morte por doença entre 1 e 19 anos de idade.
Por ser doença rara e dotada de sintomatologia comum a situações mais frequentes na pediatria, tem sua detecção condicionada ao preparo dos profissionais da atenção primária. O reconhecimento de sinais de alerta favorece o diagnóstico.
Geralmente vêm em conjunto, são persistentes e progressivos e incluem palidez, inapetência, manchas roxas ou sangramentos inexplicados; febre prolongada de origem obscura; dores ósseas ou em articulações; vômitos e dores de cabeça, sobretudo pela manhã; diminuição de força em algum membro, alteração da marcha ou da visão.
O Diagnóstico Precoce é um grande passo, mas não basta. O aumento da sobrevida é atribuído fundamentalmente ao conjunto de fatores inter-relacionados, entre eles o apoio social, a alta qualidade dos centros de referência, pesquisa clínica e educação
Incluem ainda aumento do perímetro craniano de forma anormal, em menores de 2 anos de idade; ínguas grandes, duras, indolores e sem evidência de causa infecciosa; tumoração no abdômen ou em qualquer lugar do corpo; e pupila esbranquiçada em crianças pequenas. A criança pode ter bom estado geral no início, o que dificulta relação com doença de tamanha gravidade. Algumas vezes, na primeira consulta pode não haver dados suficientes para a suspeita.
A taxa de sobrevida em países do primeiro mundo já supera os 80%. Infelizmente, esta não é a realidade em muitos países. O futuro de uma criança acometida pelo câncer depende largamente da região do mundo em que ela vive. Isto contraria princípios básicos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, entre eles, o direito de gozar do melhor estado de saúde possível, garantido pelos pais, pela sociedade e pelo Estado.
O Diagnóstico Precoce é um grande passo, mas não basta. O aumento da sobrevida é atribuído fundamentalmente ao conjunto de fatores inter-relacionados, entre eles o apoio social, a alta qualidade dos centros de referência, pesquisa clínica e educação.
O tratamento deve ser realizado em centro de referência específico para crianças. O Hospital Infantil Nossa Senhora da Gloria abriga o centro de referência pública estadual para tratamento de câncer em menores de 19 anos. Recebe apoio social da Associação Capixaba conta o Câncer Infantil (ACACCI) e, como parte das estratégias para a melhoria da qualidade do serviço, tem a mudança de endereço prevista para as próximas semanas.
*A autora é médica oncologista pediatra do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória