A besta-fera está solta. É preciso domá-la Não é pelos 46 centavos. Parte dos manifestantes que estão inflando o movimento de paralisação dos caminhoneiros pelo país afora não está preocupada com o preço do óleo diesel, o valor do frete e os pedágios. Não, os mais estridentes estão, literalmente, pegando carona na greve em nome de um retrocesso institucional, a tal da “intervenção constitucional”. Sem eufemismos: a volta da ditadura militar.
Neste momento de crise e instabilidade, esses grupos de extrema direita aproveitam a legítima aspiração popular por um país mais justo e decente e a fragilidade do governo para brandir a bandeira das trevas.
O que mais preocupa é que muitos desses militantes são jovens que, iludidos por viúvas da ditadura, apelam aos quartéis para que retomem o poder.
Não sabem (ou se recusam a saber) que o Brasil saiu de 21 anos de ditadura militar com inflação galopante, dívida externa monstruosa, obras monumentais paradas e muita, muita corrupção.
A saída da crise é mais democracia, nunca sua destruição. É preciso reagir a esse ataque da besta-fera. Senão ela acaba gostando e fica por mais 21 anos.