As experiências exitosas de desenvolvimento regional demonstram que o desenvolvimento é destino, mas também escolha. Aqui e acolá. O Brasil voltou a enxergar o ES com a metáfora do “tigre asiático”. Andei conversando com gente do mercado. O ES está no radar de investidores e analistas de economia e riscos políticos. No Brasil e lá fora. O governador Renato Casagrande afirma que “o Brasil voltando a crescer, vamos andar mais rápido do que os outros Estados”.
Todos olham o ES como “tigre”, mas muitos ainda estão inseguros com as incertezas políticas no Brasil e com a relativa insegurança jurídica no ES. O governador Casagrande aposta na superação desta percepção de insegurança jurídica. Para ele, a continuidade administrativa no Estado foi crucial para consolidar uma cultura de ajuste fiscal que é favorável à atração de investimentos. Além disso, a construção de relações institucionais estáveis entre os três Poderes melhora as condições de governabilidade.
Indaguei ao governador qual é a escolha e o provável destino. Qual é o projeto que vai amalgamar a sociedade? Casagrande está convicto de que “o tamanho do Estado não importa, o mais importante é as instituições e a sociedade formarem uma base para um processo de desenvolvimento para além da economia do petróleo. Vamos preservar a Nota A e a governabilidade e modificar o foco e a qualidade do desenvolvimento”.
Os investimentos com a utilização do Fundo Soberano, do Fundo de Infraestrutura e a captação de novas operações de crédito, devem modificar o perfil da economia capixaba. “Miramos exemplos como os de Singapura, Portugal e Holanda”, diz o governador. Os incentivos fiscais que foram importantes para o Estado nos últimos 30 anos têm data para terminar. Há urgência na nova mudança de perfil.
Os focos são infraestrutura, educação, inovação e energia renovável. Casagrande projeta o ES como porta de entrada para o Brasil e porta de saída para o mundo. A vocação logística. Projeta a inserção do Estado no novo mercado de gás e energia renovável. E na educação tem um projeto estruturante de educação infantil como porta de entrada para a igualdade de oportunidades. Pretende incluir a educação no cálculo da cota-parte dos municípios no ICMS: “em 2021, vou enviar a lei para a Ales”. É uma mudança de foco. A educação como vetor de inclusão e inovação. Vai virar projeto de sociedade?