Um morto, uma vítima de bala perdida, carros incendiados, moradores reféns do medo e a acintosa ação de criminosos armados com metralhadoras que cercaram policiais durante uma abordagem. Ourimar? Morro da Piedade? Central Carapina? Não. Desta vez, a tragédia cotidiana dos bairros periféricos dominados pelo tráfico explode em Presidente Médici, Porto Novo e Porto de Santana, em Cariacica.
Já passou da hora de as autoridades municipais e estaduais agirem de forma eficaz para combater a criminalidade e libertar as comunidades da indigência de direitos.
Infelizmente, essas comunidades são apenas os exemplos mais recentes e visíveis de um cenário antigo e mais amplo, em que a ausência do Estado cria um ambiente de extrema vulnerabilidade.
Neste primeiro momento, é óbvio, a situação pede uma ação rápida e tática da polícia, mas a solução não se encerra na repressão. Medidas restritas à área da segurança pública não são suficientes para sanar problemas decorrentes de séculos de exclusão social.
Paz não se constrói sem cidadania. Parece um clichê. E é. Mas, infelizmente, esse é um lugar-comum apenas dos discursos, que nunca se concretiza em ações que ultrapassem mandatos políticos. Diante das chacinas que o tráfico promove e da magnitude social do problema, é preciso dedicação às políticas públicas de combate à pobreza e à segregação socioespacial, fatores que alimentam a tragédia. A violência urbana requer tratamento, não curativos.