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Opinião da Gazeta

Uma inimiga da economia

Baixa produtividade do trabalho tira a força das empresas para competir. Leva à morte. No Brasil, esse indicador é preocupante

Publicado em 17 de Fevereiro de 2018 às 20:54

Públicado em 

17 fev 2018 às 20:54

Colunista

O Brasil é um dos líderes mundiais em volumes exportados de café, grãos, carnes, minério de ferro e outras matérias-primas não apenas pela extensão e fertilidade das terras. O que viabiliza estar no mercado global é a capacidade de competir. E ela tem nome: produtividade. Significa otimizar a relação entre a produção (volume) e os fatores utilizados (pessoal, máquinas, materiais e outros). É fazer mais com menos – reduzindo custos e ampliando escala. E com alta qualidade.

O campo dá show nesse sentido, mas não é o que se vê em outras áreas. Com algumas exceções setoriais, a indústria capenga em produtividade. Notadamente, a trabalhista, indispensável à eficiência.

Em termos de cultura gerencial, o Brasil não é muito diferente do padrão global, no entanto a interferência de diversos fatores coloca o trabalhador da indústria entre os que menos produzem por hora de serviço: apenas US$ 16,80 (ou R$ 54,09). Quase quatro vezes menos do que na Alemanha (US$ 64,40 por hora), e lá a carga horária anual tem 340 horas menos do que a brasileira. Em produtividade do trabalho, o Brasil está na 50ª posição entre 68 países, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas. Na Noruega, primeira do ranking, são US$ 102,80 a cada 60 minutos de labor.

Baixa taxa de rendimento do trabalho é inimiga mortal da empresa. Entra de mãos dadas com qualificação profissional precária e com atrasos em tecnologia e inovação, condições que dificultam produção de maior valor agregado. Somos um país burocrático, com mentalidade cartorial asfixiante. Isso atrapalha a produtividade. Atividades não fins ocupam muita gente nas companhias. É preciso diminuir o peso do Estado.

É necessário que cada empresa encontre caminhos para vencer suas limitações. O mercado vai exigir cada vez mais. Sempre.

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