O juro básico de 6,75% ao ano, o mais baixo da história, foi comemorado por Temer em uma rede social. “O governo fez o dever de casa e criou as condições para o BC cortar as taxas”, afirmou.
Na verdade, o dever de casa só estará completo com o ajuste fiscal mais bem implementado. Por enquanto, falta o essencial: reformar a Previdência. Se isso não acontecer, a festa dos juros estará ameaçada. É provável que as taxas voltem a subir em poucos meses.
O Planalto continua gastando mais do que pode, financiado pelos bancos. Isso pressiona a alta geral do preço do crediário. Quem paga é a população, que nem sequer sente o cheiro da Selic quando ela cai. Só quando sobe.
O juro básico a 6,75% ao ano apenas acompanha o definhar da inflação, a menor desde a criação do Plano Real. O desemprego nocauteou a demanda e derrubou preços, o que também ocorreu pelo excesso de oferta de supersafras agrícolas.
Bancos pegam carona na descida da Selic para anunciar benefícios aos clientes. É oportunidade para burilar a imagem. Mas, no balcão, os juros continuam muito acima dos padrões internacionais. Na média de mercado, o empréstimo pessoal sai por 49%, e o capital de giro, 19%, segundo o Banco Central. As causas, entre outros fatores, são a pouca concorrência (apenas quatro instituições detêm 72% das operações), o compulsório elevado (depósito no BC de parte dos depósitos) e a inadimplência alta.
O descompasso entre a taxa básica e a paga nos empréstimo diminui a eficácia da política monetária, afrouxada para incentivar a economia. E este período está terminando. De abril a setembro, o Copom reduziu a Selic em 1 ponto percentual; em outubro, o ritmo de corte caiu para 0,75 ponto; em dezembro, para 0,5 ponto; e, agora, para 0,25 ponto. Essa trajetória exige ajuste nas contas públicas. Mudança na Previdência, já.