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Beatriz Seixas

Um forasteiro no comando do Banestes

Futuro presidente do banco estadual é de Brasília

Publicado em 04 de Dezembro de 2018 às 23:23

Públicado em 

04 dez 2018 às 23:23
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Vasco Cunha Gonçalves é presidente do BRB e será o futuro presidente do Banestes Crédito: Gabriel Jabur/Agência Brasília
A equipe econômica do governador eleito Renato Casagrande (PSB) está praticamente fechada. Já foram anunciados Rogelio Pegoretti para a Fazenda; Álvaro Duboc, para o Planejamento; e nesta terça-feira (04) foram apresentados os presidentes do Banestes, Vasco Cunha Gonçalves, e do Bandes, Angelo Baptista. Entre as principais pastas na seara econômica, falta apenas a Secretaria de Desenvolvimento.
Até aqui os nomes escolhidos pelo socialista seguiram critérios técnicos e têm agradado de uma maneira geral o mercado capixaba, mesmo que em alguns casos tenha havido surpresa, como quando Pegoretti foi anunciado para comandar os cofres públicos.
O fato de o currículo do futuro secretário não ter uma ligação direta com a área econômica gerou certa estranheza num primeiro momento, conforme foi publicado neste espaço no dia 2 de novembro, mas, mesmo assim, prevaleceu a avaliação de que, pelo menos até que ele demonstre o contrário, a formação e as experiências passadas de Rogelio Pegoretti o credenciam para a função.
Nesta terça-feira (04), veio outra surpresa durante o comunicado feito por Casagrande à imprensa. Desta vez, chamou a atenção a escolha de Vasco Cunha Gonçalves como futuro presidente do Banestes. Mas não foi sua trajetória profissional em si que surpreendeu, mas o fato dele não ser do Espírito Santo. O substituto de Michel Sarkis é brasiliense e, até então, a única relação que tinha com o Estado era como turista, como ele mesmo brincou ser um frequentador das praias de Guarapari.
Assim, é a primeira vez em muitos anos que o comando do banco ficará com um forasteiro. Problema nisso? Nenhum. Trata-se apenas de um fato curioso e que reforça que Casagrande não está, pelo menos até o momento, se apegando a nomes que agradam a sociedade capixaba ou que cumpre a tabela das indicações políticas.
Desde que o Banestes passou por um grande processo de reestruturação, a partir de 2003, e começou a se profissionalizar e a se afastar das relações com o crime organizado e de corrupção, talvez seja a primeira vez que alguém que não é capixaba ou pelo menos que viva há alguns no Estado será o responsável por chefiar o banco local.
Condição que para o governador e para o futuro presidente está longe de ser um obstáculo. O currículo de Gonçalves, de 49 anos, é o que balizou a escolha para a função. Atualmente, ele é presidente do Banco de Brasília (BRB) e foi sob sua gestão que a instituição alcançou lucro recorde.
Este é o quarto ano que o brasiliense está à frente do BRB. Desde então, o banco vem apresentando melhora nos seus resultados. Enquanto em 2015 o lucro registrado foi de R$ 84,2 milhões, em 2016 alcançou R$ 200 milhões e, em 2017, atingiu R$ 260 milhões, marca que deve ser repetida ou superada neste ano, segundo Gonçalves.
Para ele, que pretende começar nos próximos dias o trabalho de transição junto à atual gestão do banco capixaba, o BRB e o Banestes têm muito em comum. “São instituições parecidas, mas é claro que cada uma tem a sua cultura, modelo e características, e eu respeito muito isso.”
Questionado de onde surgiu a aproximação com o governador eleito, Vasco Gonçalves disse que Casagrande era, de 2015 até meados deste ano, conselheiro do Banco de Brasília, e foi a partir daí que eles se conheceram e, mais recentemente, surgiu o convite.
Além de manter o Banestes competitivo e com bons resultados, o novo presidente frisou que um dos desafios será acompanhar as transformações que vêm acontecendo no mundo bancário, especialmente em relação aos investimentos em novas tecnologias e processos.
“Já olhei os relatórios públicos do Banestes e é um banco que vem crescendo nos últimos anos e nós queremos manter esses resultados. Além disso, pretendemos realizar um trabalho para estimular o desenvolvimento do Estado. E claro, assim como todas as instituições, sejam elas pequenas ou grandes, temos que ampliar a inserção digital e avaliar parcerias com fintechs, por exemplo. Queremos deixar o banco cada vez mais perene e com olhar para o futuro”, destacou Gonçalves, que além de focar nesses pontos vai seguir a orientação do seu mais novo chefe: de que privatizar não é uma opção para esta gestão.
Disposição para ter sócio
Ao apresentar o novo presidente da Cesan, Alcio de Araújo, o governador Casagrande afirmou que um dos planos é retomar o processo de capitalização da companhia, que chegou a ganhar fôlego em 2015 e 2016, mas acabou não se concretizando. O chefe do Executivo reforçou que não pretende privatizar a Cesan, mas ponderou que tem interesse de retomar as conversas para que a companhia passe a ter um sócio privado e amplie sua capacidade de investir. “Mantendo o controle da Cesan, nós temos interesse nesse formato.”
Desenvolvimento feminino?
Casagrande disse que o nome que irá comandar a Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes) deverá ser anunciado nos próximos dias. E deixou no ar que pode vir a ser uma mulher: “Quero deixar uma surpresa. Porque ainda não está fechada a composição. Pode ser um secretário ou uma secretária.”
Sedes não, mas participação sim!
Questionado se Márcio Félix, atual secretário executivo do Ministério de Minas e Energia e ex-secretário de Desenvolvimento no ES, poderia ser uma possibilidade para ocupar novamente a pasta, Casagrande afirmou que para este cargo não. Mas garantiu que ele terá espaço em seu mandato. “Ele vai contribuir de alguma maneira no nosso governo. Ou diretamente ou indiretamente. Já combinei com ele. Confio muito no Márcio”, frisou o governador eleito após citar que um boa contribuição de Félix seria na nova empresa de gás.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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