Das seis orientações de segurança divulgadas na terça-feira (26) pelo Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) da Ufes, uma chamou mais atenção: a que pede aos alunos que evitem estudar sozinhos nas salas de aula. Chegou-se ao lamentável ponto em que o próprio processo de aprendizagem está sendo afetado pela violência no campus de Goiabeiras. Não há tranquilidade nem mesmo para o estudo. É triste que uma instituição de ensino superior federal esteja nessa situação.
Estudantes têm razão de estarem assustados com a mais recente onda de violência, desde que duas alunas de Serviço Social foram assaltadas por um bandido armado em uma sala de aula do CCJE, que reúne oito cursos. No começo do mês, também foi notificado um estupro no campus, só que no Centro de Ciências Exatas (CCE). Coincidência ou não, ambos reúnem os prédios mais distantes da Avenida Fernando Ferrari.
As ocorrências acenderam a luz vermelha. No comunicado, por conta da abordagem do assaltante, a direção do CCJE sugere o uso da Biblioteca Central ou a formação de grupos de estudo. Também orienta que se evite usar celulares em locais abertos e andar sozinho, sobretudo no período noturno.
O campus de Goiabeiras tem uma área de mais de um milhão de metros quadrados. A segurança é um desafio, com as longas distâncias entre os prédios e a facilidade de fuga, mas a administração central precisa colocá-la como prioridade. Exigir mais integração com as esferas federal, estadual e municipal, que garanta o patrulhamento interno e no entorno. E não só rondas: é necessário um maior controle sobre quem entra e quem sai do campus, de uma forma que a comunidade não seja excluída. E também mais vigilância nas zonas limítrofes ao manguezal.
A comunidade universitária não pode permanecer à própria sorte: por mais que cuidados devam ser tomados por quem frequenta o campus – alunos, professores, servidores e público externo –, é inaceitável que crimes continuem ocorrendo com tanta frequência, sem que haja uma reação conjunta à altura e estratégias mais eficientes do que as adotadas até agora.