Não dá para ser inocente: a exposição de tratores e retroescavadeiras com faixas de agradecimento a políticos em praça pública não pode ser encarada como mera homenagem aos representantes que viabilizaram aquela aquisição. Mesmo um tanto provinciana, é uma forma de promoção pessoal eficaz, principalmente em ano de eleição. É preciso estar atento a quem abusa desse artifício, que pode até ser considerado ilegal por ferir o princípio da impessoalidade da administração pública.
A prática é recorrente no interior do Estado, como mostrou ontem reportagem do jornal A Gazeta, que registrou a ocorrência nos municípios de Alfredo Chaves, Ibatiba, Jerônimo Monteiro e Rio Bananal. Parlamentares, no âmbito estadual e federal, garantem que os “tributos” partem dos prefeitos e se eximem de responsabilidades. Mas é quase certo que não reclamam da exposição.
O maquinário fica sem uso, num verdadeiro museu a céu aberto, sujeito a deterioração antes mesmo de começar a ser utilizado. Prefeitos justificam que os equipamentos precisam passar por vistorias. Mas para tudo há limite: é inaceitável que uma escavadeira fique cinco meses em exposição por conta de burocracias, como em Rio Bananal. Parece conveniente demais...
Esses “troféus políticos” são a ponta do iceberg das emendas parlamentares, um mecanismo de alocação de dinheiro público que faz a festa de deputados e senadores. Ao mesmo tempo que agiliza a destinação de recursos, é um eficiente instrumento de barganha com prefeitos, em suas bases eleitorais.