A integração do transporte público em Vila Velha foi oficialmente adiada, enquanto isso, vans e micro-ônibus clandestinos aproveitam a precariedade do sistema para lucrar. O usuário, refém dos atrasos constantes, da superlotação e da falta de linhas que o atenda plenamente, acaba cedendo ao transporte irregular. Compreensível, numa situação em que predomina o “ruim com ele, pior sem ele”.
Esse sistema paralelo já conta com cerca de 80 veículos. São 5 mil pessoas atendidas diariamente, um número considerável de dependentes do transporte público que passam sufoco todos os dias para ir e voltar do trabalho ou cumprir outros compromissos. O transporte é ilegal de todas as formas possíveis: os veículos não passam por inspeções ou revisões, encontram-se caindo aos pedaços, sem equipamentos básicos de segurança. Embarcar nessas “máquinas de acidentes” é colocar a própria vida em risco. Para piorar, motoristas com habilitação cassada e até embriagados já foram flagrados pelas blitze. Há um esquema muito bem organizado inclusive para fugir delas, como mostrou reportagem de A GAZETA.
Com muitas regiões desguarnecidas de ônibus regulares, Vila Velha não oferece condições dignas à mobilidade urbana. A empresa responsável pelas linhas municipais não atende todos os bairros. O bilhete único que integrará esses ônibus ao Transcol, prometendo ampliar as áreas servidas por coletivos, foi adiado por tempo indeterminado por questões contratuais.
O transporte público de Vila Velha carece de uma reorganização total. Por mais que seja uma concessão, é responsabilidade da administração pública garantir mais acesso e mais qualidade. E também manter a fiscalização contra os clandestinos. Só assim não haverá espaço para o transporte irregular, tão perigoso e arriscado, continuar crescendo.