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Opinião de A Gazeta

Transparência e bem-estar social no foco de cobranças

Expectativa da iniciativa privada para 2019 é de redução da presença do Estado na economia e mais eficiência do governo na área social

Publicado em 18 de Novembro de 2018 às 19:48

Públicado em 

18 nov 2018 às 19:48

Colunista

Gráficos: pesquisas, em especial as eleitorais, não são necessariamente feitas para acertar os resultados finais Crédito: Shutterstock

A expectativa do setor privado em relação a 2019, ano em que começa um novo governo, une medidas de bem-estar social e procedimentos para impulsionar a economia. Este quadro está refletido nas respostas a uma pesquisa feita pela Deloitte Brasil, de 28 de outubro a 5 de novembro, com 826 empresas de diversos ramos, com faturamento de R$ 2,8 trilhões no total, representando 43% do Produto Interno Bruto (PIB).

O objetivo foi identificar o que o empresariado espera em termos de políticas governamentais. Eles cobram presença mais eficaz do Estado em áreas diretamente ligadas ao dia a dia da população, como educação, saúde e segurança pública. São condições fundamentais para o bem-estar coletivo, infelizmente com baixo desempenho. Não existe ansiedade por soluções de problemas da noite para o dia. O pedido é para que o governo defina, com transparência, o modo como vai tratar cada questão e estabeleça metas.

Sob a ótica do funcionamento da economia, a pesquisa reafirma a reivindicação central do setor privado: redução da ação estatal em atividades estratégicas para a competitividade, como petróleo e gás, energia elétrica e outras. A União possui atualmente 149 estatais. Elas têm cerca 500 mil funcionários e nos últimos dois anos deram prejuízo de R$ 40 bilhões, complicando o ajuste fiscal.

O governo Bolsonaro herdará um pacote com mais de 50 projetos de privatizações previstos, mas não executados na era Temer. A ideia de transferir ativos à iniciativa privada, anunciada até agora pelo novo presidente, tem foco em infraestrutura e a pretensão ousada de induzir investimentos de R$ 180 bilhões já em 2019. Seria um avanço significativo ante R$ 110 bilhões em 2017. A expectativa é de que o plano seja detalhado e comece a ser implementado já no primeiro trimestre. Contempla inclusive um pleito empresarial do Espírito Santo: a concessão da Codesa, incluindo o Porto de Barra do Riacho. Isso criaria melhores condições para o comércio internacional, que influencia a maior parte do PIB capixaba.

Não haveria de ser diferente, e a manifestação empresarial na pesquisa também pede reformas estruturais – a tributária para facilitar o funcionamento das empresas e diminuir custos, e a previdenciária, considerada indispensável ao equilíbrio das contas públicas e à recuperação da confiança dos investidores.

O cálculo predominante no meio empresarial aponta expansão de 2,5% do PIB em 2019, quase o dobro da previsão de até 1,36% para 2018. A realização desse cenário está vinculada ao apoio político do Congresso – onde o partido de Bolsonaro, o PSL, formou uma bancada vigorosa –, e à habilidade do presidente para usar o seu capital político.

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