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Opinião

Transferência branca, nula ou indecisa

Muito se fala do desencanto dos brasileiros, mas 45%, segundo a pesquisa Datafolha, acreditam que o resultado das eleições de outubro "vai fazer a vida melhorar".

Publicado em 11 de Junho de 2018 às 21:36

Públicado em 

11 jun 2018 às 21:36
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

Letícia Gonçalves (Interina)

Crédito: Amarildo

Condenado em segunda instância e preso em Curitiba, o que já lhe rendeu o apelido de “presodenciável”, o ex-presidente Lula ainda lidera as intenções de voto para o Palácio do Planalto, o que deve frustrar os eleitores quando, mais do que provavelmente, ele for barrado pela Lei da Ficha Limpa. Não é de hoje que se especula para quem migrariam os votos do petista. A última pesquisa Datafolha, que foi a campo nos dias 6 e 7 deste mês, mostrou que, no cenário sem Lula, Bolsonaro lidera com 19%; Marina segue em segundo, com 15%, e Ciro Gomes em terceiro, com 10%. Lá atrás aparece o ex-prefeito de São Paulo – e possível plano B do PT – Fernando Haddad, com 1%.

Quem se destaca mesmo não é um pré-candidato, mas o número de brancos, nulos e indecisos que, nesse cenário estimulado, chega a 33%, mais do que as intenções do primeiro colocado. Já na pesquisa espontânea, Bolsonaro ultrapassa pela primeira vez o líder petista (12% contra 10%). E aí a soma de brancos, nulos e indecisos chega a 72%.

O cientista político Fernando Pignaton vê nessa inversão de posições a perda da influência do líder petista, mas ela ainda segue relevante. “O Lula pode transferir de 10% a 15% dos votos, mas depende de a quem transferir. A transferência do Lula para um candidato puro-sangue do PT é muito pequena, tende a ser abaixo disso”, acredita. “A capacidade de transferência para a Marina seria muito maior, mas as chances reais de uma aliança de Marina e PT são baixíssimas”, complementa.

“À medida que vai ficando claro que a Ficha Limpa não permitiria a candidatura do Lula, o PT faz o esforço de manter a expectativa de que ele vai disputar porque é a forma que o partido encontrou de manter o recall dele e projetá-lo para outro candidato do PT”, avalia Pignaton.

Já o também cientista político Alberto Carlos Almeida, que chegou a dar orientações ao próprio Lula e é autor do livro “A cabeça do eleitor”, não é adepto do termo “transferência de voto” por crer que a expressão dá a ideia de uma transferência automática, o que não é o caso. “Tem 20% do eleitorado que tem simpatia pelo PT. Desses 20%, 80% votariam em um candidato apoiado pelo Lula (estimativa de Almeida). Essa indicação funcionaria para quem já tem uma predisposição e está só aguardando o candidato a ser escolhido (pelo PT) ter uma visibilidade maior”, afirma. Para ele, essa estratégia poderia dar certo até na reta final da campanha eleitoral.

Na verdade, entender a cabeça do eleitor é uma coisa complicada. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 30% gostariam do apoio de Lula ao capitão da reserva do Exército.

Teatro do absurdo

O clima eleitoral já está pesando nas sessões da Assembleia. Ontem, Sergio Majeski reclamou do fato de os colegas tratarem de diversos assuntos durante a fase das votações, menos dos projetos em pauta. Janete de Sá, que havia discursado pouco antes, rebateu e disse que Majeski que iniciou esse “método” e que há um “teatro” na Casa. “Se alguém está fazendo teatro aqui, Janete deveria ganhar um Oscar porque é a atriz-mor desse plenário”, disparou Majeski.

Inimigo íntimo

Aliás, as suspeitas levantadas pelo oposicionista Euclério Sampaio quanto à licitação para um contrato do Programa Águas e Paisagens, do governo do Estado, foi um dos principais assuntos no plenário. Para Enivaldo dos Anjos, “tem gente dentro do conselho da Cesan que está dando informação para a oposição, passando até ata de reunião”.

Compasso de espera

Enquanto isso, esta deve ser uma das últimas semanas produtivas no Congresso. Depois tem Copa do Mundo, São João e as convenções partidárias.

Encontro

O jornal “O Estado de S. Paulo” registrou que houve, recentemente, um encontro entre Fernando Henrique Cardoso e a senadora Rose de Freitas, em São Paulo, para falar sobre a necessidade de união do centro já no primeiro turno e o tucano “demonstrou preocupação com a fragmentação desse campo político em muitas candidaturas”. O Podemos de Rose tem a pré-candidatura de Alvaro Dias à Presidência da República. Procurada pela coluna, a senadora não confirmou nem negou a conversa com FHC.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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