
Juliana Ferrari de Oliveira*
Uma data comemorativa é criada, geralmente, com o objetivo de sensibilizar, de chamar a atenção da sociedade e de provocar reflexão sobre determinada temática. Nesse sentido, visando estimular o hábito da leitura e ressaltar sua importância desde a infância, foi criada a lei 11.899 de 8 de janeiro de 2009, que instituiu, propositadamente, na mesma data do Dia das Crianças, o dia 12 de outubro como o Dia Nacional da Leitura.
Investir na formação de leitores se faz fundamental porque a leitura instiga a curiosidade e potencializa a criatividade. Ela amplia a capacidade de discernimento diante da complexidade da vida, pois possibilita a compreensão de si mesmo, da sociedade, da história e do contexto em que se vive. Por essa razão, fala-se na leitura como possibilidade de ampliação da visão e reflexão sobre o mundo e do desenvolvimento de valores humanos.
Um livro permite transcender o real, permite estar em outros lugares, sejam eles físicos, sociais e emocionais. Mais ainda, um livro permite sonhar
Um livro permite transcender o real, permite estar em outros lugares, sejam eles físicos, sociais e emocionais. Mais ainda, um livro permite sonhar, o que, para as pessoas em privação de liberdade, pode vir a ser uma esperança que há tempos estava apagada. Por isso, a recomendação nº 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça, mais do que compreender a remição pela leitura como uma das formas de efetivação da remição pelo estudo, contribui para a reinserção social do apenado, a partir da tomada de consciência que a leitura pode provocar.
Com base na referida recomendação, projetos de remição pela leitura estão sendo desenvolvidos pelo país. No Espírito Santo, o projeto Ler Liberta, realizado pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV) em parceria com a Secretaria do Estado de Justiça (Sejus), nos mostra que, para os internos participantes do projeto, um livro, muitas vezes, é companhia, é aconchego, é diálogo. Um livro é pausa, é prazer, é possibilidade.
Assim, se “um país se faz com homens e livros”, como dizia Monteiro Lobato, que o 12 de outubro possa ser celebrado com a valorização da leitura e que mais pessoas possam ter a oportunidade de vivenciar a transformação que um livro proporciona, independentemente de quem sejam ou de onde estejam.
*A autora é doutora em Educação pela PUC-SP e coordenadora pedagógica da FDV e do Projeto de Ler Liberta