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Leonel Ximenes

Toca dos guerrilheiros do Caparaó agora é patrimônio arqueológico do país

Local em Iúna agora é bem da União, não pode ser escavado sem autorização e tem que ser preservado para pesquisas históricas

Publicado em 12 de Novembro de 2019 às 11:21

Públicado em 

12 nov 2019 às 11:21
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes
Equipe da TV Gazeta no local onde foi encontrada a toca dos guerrilheiros, em Iúna Crédito: Divulgação

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) divulgou um comunicado informando que foi registrado como  patrimônio arqueológico o local onde agricultores encontraram uma toca feita pelos participantes da Guerrilha do Caparaó, no município de Iúna, interior do Espírito Santo.

"Informamos que o sítio arqueológico Casa dos Guerrilheiros foi registrado como patrimônio arqueológico no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA) protegidos pela Lei nº 3.924, de 26 de julho de 1961”, diz o comunicado divulgado ontem (11).

Fragmentos da presença dos guerrilheiros foram encontrados na toca Crédito: Divulgação

Segundo o Iphan, a confirmação de que realmente se trata de um sítio arqueológico foi possível após pesquisa e análise bibliográfica, realizadas pelos técnicos do Iphan, sobre os materiais coletados na região no dia 18 de setembro de 2019.

Por ter sido declarado patrimônio arqueológico, localizado dentro do Parque Nacional da Serra do Caparaó, o local é bem da União e deverá ser mantido inalterado. “Exceto, no caso de autorização do Centro Nacional de Arqueologia (CNA) por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, poderá receber pesquisas arqueológicas por profissionais devidamente qualificados”, explica o Iphan.

A REPORTAGEM

Os técnicos do Iphan foram ao local depois que a TV Gazeta veiculou uma reportagem no local, com a participação do jornalista José Caldas, autor do livro "Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura" e com entrevistas com antigos participantes do movimento guerrilheiro de 1966-67. A reportagem visitou o Caparaó no dia 3 de setembro.

A equipe da emissora enviou para o Departamento de Química da Ufes uma amostra do líquido encontrado no local pelos escavadores amadores - provavelmente óleo lubrificante utilizado em armamentos usados pelos guerrilheiros. O resultado da análise ainda não saiu.

OS GUERRILHEIROS

Os guerrilheiros atuaram no Caparaó entre 1966  e 1967. Eram militares expulsos em 1964, e tinham conexão com organizações políticas.  O apoio vinha do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) de Leonel Brizola, exilado no Uruguai, mas a coordenação política era do PSB, então proscrito.

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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