A execução de Marielle, as ameaças ao ministro Edson Fachin e os tiros nos ônibus da caravana de Lula não são fatos isolados. Em menos de 15 dias, o que o Brasil tem testemunhado é uma escalada do ódio e da intolerância política, frutos de uma polarização que se acirra cada vez mais e que agora atinge proporções inadmissíveis em uma democracia.
As investidas têm suas particularidades, mas há mais semelhanças do que diferenças nos ataques. A principal delas é a tentativa de calar o outro, o diferente, à força. Diante desses episódios absurdos, não é nenhuma paranoia o temor de que mais tragédias possam acontecer até o fim das eleições, uma vez que ainda nem entramos no período de campanhas e as divergências já até causaram mortes.
Os dois casos mais recentes de coação são também gravíssimos. Relator dos processos da Lava Jato, que envolvem empresários e políticos de diversos partidos, Fachin revelou que ele e sua família vêm sendo intimidados. No caso da comitiva de Lula, a violência foi bem menos abstrata. Foram três tiros disparados contra os ônibus da caravana. Felizmente, ninguém se feriu. O que mais pode vir depois desses três tristes episódios? Não podemos pagar para ver.
Esses casos devem ser tratados com urgência e rigor pelas autoridades, para que transmitam um recado cristalino de que não se pode, sob nenhuma hipótese, contemporizar a violência contra vozes divergentes, sob o risco de cairmos na barbárie. Se medidas urgentes não forem tomadas, o Brasil corre o sério risco, como advertiu Fachin, de trocarmos a fechadura de uma porta já arrombada.