Com a ida do deputado federal Paulo Foletto (PSB), reeleito, para o comando da Secretaria Estadual de Agricultura, o jornalista Ted Conti, do mesmo partido, assumirá a vaga dele na Câmara Federal, a partir de fevereiro. Por ser esse o primeiro mandato de Ted, não se sabe bem o que esperar dele no Congresso. Mas três certezas despontam da primeira conversa do futuro deputado com a coluna ontem, após a confirmação oficial de que ele, como 1º suplente da coligação, substituirá Foletto na Câmara.
A primeira é que Ted chegará à Casa sem experiência e, ao menos por enquanto, sem propostas muito bem delineadas, mas com boa vontade e boas intenções de sobra, principalmente no que se refere ao combate à corrupção – citado por ele como uma das principais bandeiras do seu mandato, ao lado da segurança e da educação.
“Ética”, “caráter”, “seriedade”, “lisura”, “fazer o certo” e o “correto”... Palavras como essas se destacam no vocabulário usado por Ted para responder às nossas perguntas (leia a entrevista completa aqui). “A gente sai da campanha com duas vitórias: uma é a vitória da ética e a outra é minha chegada a Brasília”, afirma ele. O ex-apresentador se mostra animado a dar sua contribuição pessoal em um processo de renovação política do ponto de vista ético, que ele entende ser urgente e que foi, segundo ele, o que o levou a decidir ser candidato pela primeira vez neste ano após quase 30 atuando como jornalista.
A segunda certeza é a de que Ted chegará a Brasília com humildade de quem sabe que, sem a menor experiência política e parlamentar, ainda tem muito a aprender com quem sabe. “Estou iniciando agora. Então tenho que começar com muito cuidado e muita cautela. Ouvir o próprio governador: qual a expectativa que ele tem, o direcionamento que ele quer dar. Eu estou no Congresso Nacional para ajudar. Então, primeiro, eu preciso aprender muito. E quero ajudar muito e trabalhar muito.”
A terceira certeza está presente na declaração anterior de Ted. O “governador” a que ele se refere é o próprio Casagrande, responsável por sua filiação ao PSB e por sua candidatura a deputado. Ted manifesta, por Casagrande, uma admiração profunda e explícita, a qual certamente se traduzirá em lealdade política. Trata-o como seu conselheiro e como sua grande referência na política.
“Eu me espelho em Renato Casagrande, na garra que ele tem e na vontade de trabalhar que ele tem. Nunca vi um político que ande e dialogue tanto quanto ele. Ele se tornou uma referência para mim. Mas estou aberto a conversar com todas as pessoas que possam me ajudar a ter um direcionamento político.”
A única ressalva a ser feita é que ele terá que encontrar esse “direcionamento” e aprender o mais rápido possível, pois o técnico (Casagrande) tirou-o da reserva antes mesmo do início da partida. Na última hora, o titular (Foletto) foi convocado para outro time. Ted então acaba de ser escalado para já iniciar a partida jogando. Assim, terá que começar o jogo mostrando que sabe mesmo jogar.
O mentor de Ted
O nome (muito) conhecido é o de Ted Conti. Mas é outro o nome por trás do êxito eleitoral de Ted: Alexandre Mendes. Com atuação restrita aos bastidores, Mendes é o grande mentor da campanha de Ted desde o início.
Muquienses unidos
Também nascido em Muqui, Mendes (50) é amigo de infância de Ted (53). Filiado ao PSB há 12 anos, o estrategista de Ted tem conexão com Davi Diniz (PPS), atual secretário da Fazenda de Vitória e futuro secretário-chefe da Casa Civil no governo Casagrande.
Parceiro de Diniz
Quando Diniz foi secretário de Gestão de Vitória, Mendes foi subsecretário de Gestão. Na Secretaria da Fazenda da Capital, ele é assessor de Diniz. Mas o “projeto Ted” não teve nenhum dedo de Diniz. Foi todo concebido por Mendes.
Audiência espalhada
“Andei sozinho metade do Litoral Sul e do Caparaó, pedindo voto, distribuindo material”, conta Ted. Ele teve votos em todos os 78 municípios capixabas, mas sobretudo na Grande Vitória. Proporcionalmente, foi mais votado em Guarapari, onde mora, e em Muqui, onde nasceu.
Só pode ser um(a) fã!
Em Alto Rio Novo, teve apenas um voto.
Peso da greve da PMES
Durante a greve da PMES, Ted passou maus bocados em Guarapari, cidade com registro de saques e outros eventos violentos. Ele conta que o episódio foi decisivo para seu ingresso na política. Prefere não se manifestar sobre o projeto de anistia aos policiais grevistas.