Até a invenção do automóvel, havia muitas carroças circulando pelas cidades, o que deixava as ruas com bastante sujeira provocada pelos cavalos. À medida que o número de veículos motorizados cresceu, as carroças foram diminuindo, até deixarem de circular no meio urbano da maioria das cidades. E, numa questão mais contemporânea em termos de proteção aos animais, vieram leis que deram fim ao uso de carroças com tração animal. E, obviamente, já não há mais ruas contaminadas e nem malcheirosas por conta das fezes dos cavalos.
Outra questão óbvia é que as leis que regulam o trânsito e o motorista só vieram após a invenção do automóvel. Dirigir, como se sabe, é uma concessão pública, ou seja, o governo é quem dá o direito a alguém para conduzir um veículo, dadas certas condições – fazer as aulas nos centros de formação do condutor, ter bom estado de saúde, passar na prova, pagar taxas – que no Brasil são definidas pelo Contran.
Também é o governo quem licencia e/ou dá concessão a quaisquer atividades econômicas, incluindo os serviços de transportes ou hospedagem, tais como ônibus e táxis, ou hotéis e pousadas, respectivamente. Além de regular as atividades econômicas, o governo não só fiscaliza o exercício correto do licenciado ou concessionário, sempre tendo em conta o bem comum, isto é, o interesse da sociedade, como também arrecada dinheiro por meio das taxas cobradas.
As pessoas sempre precisaram se locomover, afinal moram num bairro e trabalham em outro, por exemplo, bem como viajar e, consequentemente, se hospedar fora da sua cidade, seja a trabalho ou lazer. E assim, num passado distante após a invenção do automóvel, veio a ideia de fazer do carro um serviço de transporte individualizado, e com isso surgiu o táxi, tal como o conhecemos hoje (mas, mesmo antes deles, já existiam os serviços de transportes em carruagens). E a mesma lógica ocorre com o serviço de hospedagem, que resultou nos hotéis.
Alguém precisa se locomover e contrata o serviço de outro para que o leve a um destino, alguém precisa se hospedar temporariamente fora da sua cidade e contrata o serviço de outro que lhe oferece um quarto e café da manhã; todos serviços cobrados e pagos pelos contratantes. E tangencialmente o governo regulando e arrecadando um percentual dessas atividades.
Com as novas tecnologias informacionais, porém, surgiram empresas como Uber e Airbnb que inovaram ao quebrar a lógica até então instituída, atendendo o desejo de alguém se locomover ou se hospedar e com qualidade e preço até melhor que os já estabelecidos serviços de táxi ou hotel, inclusive por ainda não estarem devidamente enquadrados na questão da tributação de governos cada vez mais preocupados com essa “excentricidade”. Para as pessoas, ou clientes se assim quisermos chamar, nada disso é problema, pois o que importa mesmo é poder contar com um bom serviço de transporte individualizado ou de hospedagem. Em outras palavras, não importa como se consegue uma coisa ou outra, pois é a finalidade o que de fato interessa.
Num mundo no qual as pessoas cada vez mais estão fisicamente distantes do contato pessoal com terceiros, e apenas conectadas umas com as outras por meio de uma tela industrializada, não será mesmo problema que um serviço de transporte ou hospedagem seja feito sem motorista ou recepcionista, como, aliás, já começa a ocorrer com carros e hotéis autômatos. Já existem também as lojas sem vendedores, e assim por diante...
Há quem afirme preferir ainda o contato humano, mas é certo que a questão econômica é impositiva. O maior desafio ainda parece ser mesmo a diminuição do mercado de trabalho e a questão tributária, afinal como os governos poderão manter suas obrigações mínimas que não cabem ao mercado perdendo arrecadação?