
Paulo Henrique Rabelo Coutinho*
Nesta Copa do Mundo, bilhões de pessoas acompanharão o principal evento esportivo do planeta. Com 32 seleções, a competição reunirá os melhores jogadores na Rússia. Mas, será que apenas talento e força física são suficientes para levantar a taça? Não. No Mundial de 2014, a Alemanha chegou ao tetra graças também a um recurso de TI bastante utilizado por empresas: Big Data.
Essa ferramenta permite coletar informações de várias fontes (redes sociais, relatórios, banco de dados, entre outras). Com base no que foi coletado, é possível escolher a tática mais adequada para neutralizar os pontos fontes dos adversários e explorar as fragilidades. Sem dúvida, o uso adequado das informações e a qualidade técnica dos alemães foram determinantes para o lamentável e inesquecível 7 a 1 contra a Seleção Brasileira.
O Big Data permite à comissão técnica analisar as situações de cada partida e treinar jogadas ideais para chegar ao gol dos adversários. Outra vantagem é verificar como o rival utiliza a posse de bola com dados sobre os jogadores que dão mais passe e os que mais finalizam.
O Big Data permite à comissão técnica analisar as situações de cada partida e treinar jogadas ideais para chegar ao gol dos adversários. Outra vantagem é verificar como o rival utiliza a posse de bola com dados sobre os jogadores que dão mais passe e os que mais finalizam
Mas a tecnologia da informação não está presente no futebol somente por meio de softwares. No Mundial da Rússia, está sendo utilizado, pela primeira vez, o árbitro de vídeo (VAR, sigla em inglês). Esse recurso será utilizado para verificar a regularidade ou não em lances de gol, esclarecendo dúvidas sobre impedimento ou se a bola passou inteira pela linha.
Também será importante para marcar ou anular pênaltis, dar cartão vermelho em agressões fora do lance de bola ou em casos de dúvida indicados pelo árbitro principal e identificar os atletas envolvidos em uma confusão.
Para a utilização do VAR, quatro árbitros serão destinados a assistir a um jogo em uma sala com diversos monitores, no Centro Internacional de Transmissão em Moscou. Eles não terão acesso ao gramado e devem avisar ao árbitro de campo, quando detectarem um erro claro.
Com a intenção de aproveitar o potencial desse recurso de TI, os 12 estádios têm 33 câmeras instaladas, sendo que oito gravando no modo superlento, seis em extra lento, e duas específicas para checar impedimentos. Sem dúvida, o VAR é muito importante para minimizar as possibilidades de uma equipe ser prejudicada por erros de arbitragem. Isso mostra que a tecnologia da informação pode contribuir para dar mais transparência ao principal evento esportivo do planeta neste ano.
Além do Big Data e do VAR, outro recurso de TI que estará presente na Copa do Mundo é o chip instalado na bola Telstar 18, que vai permitir o uso do NFC (transmissão de dados por aproximação). Esse mecanismo vai fornecer informações em tempo real sobre deslocamento, posição e velocidade da bola durante as partidas. Com certeza, a tecnologia da informação é peça-chave para o sucesso dos times.
*O autor é presidente do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Espírito Santo