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Abrir uma conta em uma corretora e dar os primeiros passos no mundo dos investimentos pode parecer um bicho de sete cabeças: a partir de qual valor é possível começar a aplicar o dinheiro? Como escolher uma boa instituição? Como não cair em golpes? Essas e outras perguntas rondam a cabeça de quem ainda não resiste a investir. Mas especialistas deixam claro que começar é mais simples do que parece.
Hoje, é possível abrir uma conta sem sair de casa e já começar a aplicar os primeiros valores. Segundo o sócio da Valor Investimentos Marcel Lima, muitas corretoras já permitem a abertura de contas a partir de valores baixos. Opções como CDBs de liquidez diária, Tesouro Direto e alguns fundos aceitam aportes de R$ 30 a R$ 100. Outra alternativa são as ações unitárias, que podem custar a partir de R$ 10.
O mito de que é preciso ter milhares de reais para começar não se sustenta mais. O que importa não é o valor inicial. É criar o hábito de aportar com regularidade.
Marcel Lima sócio da valor Investimentos
Diferentemente dos bancos, a corretora não guarda dinheiro em contas correntes ou oferece cartões de crédito. Essa instituição financeira atua como intermediária entre o investidor e a bolsa, o Tesouro Nacional e outras instituições.
O passo a passo para abrir uma conta em uma corretora pode ser mais simples do que em um banco tradicional. Segundo Marcel, todo o processo costuma ser digital: envio de documento de identidade, comprovante de residência e algumas informações cadastrais, com aprovação em minutos ou poucos dias, sem necessidade de ir a uma agência.
“Nunca se deve transferir recursos a terceiros para investirem em nome de outras pessoas. A conta deve estar aberta no CPF de cada investidor”, alerta
Apesar do fácil acesso, é importante tomar cuidado ao escolher uma corretora para não cair em fraudes ou promessas impossíveis. Marcel alerta que investidores iniciantes precisam redobrar a atenção quando a rentabilidade prometida supera 1,5% ao mês, considerada alta para novos investidores.
Antes de assinar papéis ou enviar documentos, é importante conferir se a corretora é registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A consulta pode ser feita pelo site da CVM e ajuda a verificar se a instituição está registrada e autorizada a operar. Segundo Marcel, analisar a qualidade da plataforma – seja aplicativo ou site –, a variedade de produtos disponíveis, o atendimento e o suporte também são medidas importantes.
“Também vale checar se ela é associada à B3 e a órgãos como a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), além de pesquisar reclamações no Reclame Aqui e no próprio site da CVM. Corretoras sérias são transparentes sobre esses registros e não têm problema em informá-los”, afirma.
Marcel aconselha que, para os primeiros investimentos, não é preciso separar uma grande quantia. O importante é começar com opções mais conservadoras para entender como o sistema funciona, ganhar experiência e, depois, partir para investimentos mais arriscados.
Também é importante alinhar expectativas e realidade financeira. Segundo ele, para definir o valor do primeiro aporte, o ideal é inverter a lógica tradicional e não investir apenas o que sobra do salário, mas definir previamente um percentual da renda para aplicar e organizar o orçamento em torno disso.
“O valor deve ser algo que não comprometa despesas essenciais nem gere ansiedade de precisar resgatar no mês seguinte. Começar pequeno e aumentar aos poucos é mais sustentável do que comprometer um valor alto e desistir no primeiro imprevisto”, alerta.
Tão importante quanto definir o valor que será investido é escolher onde aplicar o dinheiro. Segundo Marcel, produtos de renda fixa com boa liquidez e baixo risco de crédito, como Tesouro Selic e CDBs de bancos sólidos, costumam ser um bom ponto de partida, porque ajudam a entender a dinâmica de aplicar e resgatar recursos antes de assumir uma volatilidade maior.
“Conforme o conhecimento e a tolerância ao risco aumentam, é possível diversificar os investimentos para outras classes. Vale reforçar que a escolha ideal depende do perfil e objetivo de cada pessoa, e não deve ser tomada como recomendação individual”, complementa.
Depois de tantas possibilidades, passo a passo e dicas de como começar a investir, é importante ficar atento para não cometer erros na hora de decidir onde aplicar o dinheiro. De acordo com Marcel, investir sem entender o produto, deixar a emoção guiar as decisões financeiras, não diversificar as aplicações e negligenciar a reserva de emergência estão entre os erros mais comuns cometidos por quem começou a investir recentemente.
“Evitar isso passa por estabelecer objetivos claros, prazo definido e revisar a carteira com regularidade, sem tomar decisões por impulso”, afirma.
Para quem está começando, a principal recomendação é focar na construção do hábito de investir e buscar conhecimento antes de assumir riscos maiores. Com planejamento e disciplina, é possível começar com pouco dinheiro e ampliar os investimentos ao longo do tempo.