O recuo do governo federal, que decidiu tirar a Codesa do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), é um revés e tanto para o Espírito Santo. A manutenção do controle estatal sobre a companhia responsável pelas áreas portuárias de Vitória, Vila Velha e Aracruz (Barra do Riacho, que permanecerá no programa) interessa a poucos: aos funcionários e, principalmente, aos políticos que tomam conta desse feudo. A politicagem, diga-se, tem sido historicamente responsável pela estagnação da empresa.
Desde 1998, arrastam-se as obras de dragagem (remoção de sedimentos do fundo do mar) e derrocagem (retirada de pedras) do canal de evolução da Baía de Vitória. Qualquer porto competitivo do mundo depende de pré-requisitos como um maior calado e uma maior área de manobra... O Porto de Vitória vê passar além do horizonte grandes oportunidades de negócio, que não atracam pela parca infraestrutura disponível.
Nessa maré baixa, o Espírito Santo, um Estado voltado para o comércio exterior, não consegue embarcar em avanços logísticos compatíveis com sua posição geográfica estratégica. Não é uma opção viável nacionalmente e nem sequer consegue escoar sua própria produção. É um absurdo, mas café, rochas ornamentais e frutas aqui produzidos precisam seguir para os portos do Rio e de Santos para ganhar o mundo.
A resistência de integrantes da bancada em Brasília surtiu efeito. Sem a concessão à iniciativa privada, mantém-se o jogo de indicações de executivos, ao bel-prazer dos interesses políticos de ocasião. A sociedade, que seria a mais beneficiada com um porto competitivo e eficiente, vai continuar a ver navios.