As sobretaxas ao aço e ao alumínio são os primeiros movimentos da guerra comercial de Trump. O Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA (4,7 milhões de toneladas em 2017), e o Espírito Santo, que vende anualmente para aquele país um milhão de toneladas produzidas pela ArcelorMittal, serão impactados. Terão de reduzir os embarques, enquanto México e Canadá (parceiros do bloco Nafta e isentos da barreira tarifária) tendem a ganhar dos mercados brasileiro e capixaba.
Trump acha que pode resolver na marra, com fantasia de segurança nacional, o grave sucateamento de sua indústria siderúrgica – com produção a custo muito alto, o que obriga usuários a preferir importações mais baratas.
O tiro vai sair pela culatra. Os EUA importam 35 milhões de toneladas de aço por ano, ou seja, 36% de seu consumo, e não têm condições de aumentar a capacidade da noite para o dia. Ficará pior para a economia americana, se países prejudicados boicotarem o envio de outras matérias-primas. Não haverá vencedores nesse conflito. Aço e alumínio entram na fabricação de centenas de produtos, de latas de refrigerante a navios, e a redução da oferta elevará preços, espalhando inflação e desemprego pelo mundo.
O Brasil não tem peso econômico nem político para enfrentar os EUA, mas pode buscar negociação estratégica entre governos – em princípio, a melhor opção. Há várias. Uma é tentar convencer indústrias que importam aço a recorrer ao Departamento de Comércio americano. Outra é reclamar na OMC (Organização Mundial do Comércio). Uma terceira – a pior de todas – é partir para a retaliação comercial.
O ataque dos EUA deve servir de alerta à economia capixaba, muito atrelada a exportações: é preciso cada vez mais diversificar produtos e mercados. A OMC e o FMI identificam tendência crescente de protecionismo no comércio.