A otimização do uso dos recursos públicos maximiza o resultado econômico e financeiro e, principalmente, satisfaz a sociedade. Mas esse é um princípio que passa distante do prédio em construção do Tribunal Regional do Trabalho, em Vitória. Está superdimensionado para os seus objetivos e deve custar quase o dobro. O valor inicialmente previsto era de R$ 108 milhões, mas saltou para R$ 211 milhões, conforme informações da TV Gazeta.
Sob a ótica da austeridade, o gigantismo dessa obra seria questionável até se sobrassem recursos à União para investimentos. É um contraste com a gravíssima crise fiscal em que o país está desde 2014 e da qual não deve sair antes de 2021, mesmo melhorando a gestão de suas contas.
O histórico desse edifício é recheado de senões – infelizmente comuns no planejamento e na execução de empreendimentos estatais. O drama teve partida com o atraso de três anos no início das obras. O projeto aprovado em 2008 só começou a sair do papel em 2011, quando já deveria estar pronto.
A fundação precisou ser refeita, devido a falhas, o que faz supor fiscalização precária. A seguir, a construção arrastou-se morosamente, por escassez de verba, situação agravada por desembolsos extras gerados em aditivos contratuais.
Agora, a conclusão está prevista para 2021, com dez anos de retardamento, e o tempo tornou a obra desajustada à finalidade. Fora concebida antes da informatização dos processos no TRT. A partir daí, ficou superdimensionada, ou seja, com muito mais espaço do que o necessário. E a sobra se ampliou. Desde a reforma trabalhista, aprovada no final de 2016, o número de ações na Justiça caiu à metade.
O que fazer com o portentoso prédio do TRT na Enseada do Suá? Ou compartilhar as instalações com outros órgãos ou vendê-lo, o que livraria a sociedade de pagar o alto custo da manutenção.