Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 16:30
O riso, muitas vezes visto apenas como uma reação a situações engraçadas, desempenha um papel essencial na saúde mental e no bem-estar. Pesquisas científicas mostram que sorrir com frequência desencadeia reações químicas no cérebro capazes de reduzir o estresse, melhorar o humor e fortalecer vínculos sociais. >
Segundo a professora de Psicologia da UniSociesc, Amanda Lang, o riso é uma das formas mais simples, naturais e acessíveis de cuidado com a saúde emocional. “Quando rimos , o nosso organismo libera substâncias como serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina, que estão diretamente associadas à sensação de prazer, relaxamento e bem-estar. Ao mesmo tempo, há uma redução significativa do cortisol e da adrenalina, hormônios ligados ao estresse”, explica. >
Essa resposta bioquímica ajuda a compreender por que o riso não é apenas uma sensação subjetiva, mas também um recurso real de equilíbrio emocional. “Mesmo depois que uma situação estressante passa, o cortisol pode permanecer circulando no corpo por até duas horas. O riso consegue reduzir mais da metade desse efeito, funcionando como uma espécie de regulador natural do organismo”, afirma a especialista. >
Do ponto de vista neurológico, o riso envolve diferentes áreas do céreb r o . A professora explica que o processo começa no lobo frontal, responsável por interpretar se uma informação é engraçada ou não. Em seguida, o sistema límbico (ligado às emoções) é ativado, desencadeando a resposta física do sorriso e a liberação dos neurotransmissores associados ao bem-estar. >
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“Quando percebemos que estamos rindo, todo esse processo já aconteceu automaticamente no cérebro. É algo que não controlamos racionalmente, mas que traz benefícios imediatos para a saúde mental e física”, destaca Amanda Lang. >
Até mesmo lembrar de situações engraçadas pode reativar esse circuito. “Recordar uma memória positiva já é suficiente para estimular novamente a liberação desses hormônios e ajudar a interromper o ciclo do estresse”, completa a professora de Psicologia. >
Além dos benefícios individuais, o riso também desempenha um papel fundamental nas relações sociais. Rir em grupo fortalece vínculos , gera empatia e aumenta a sensação de pertencimento. “O riso é uma linguagem universal. Ele quebra barreiras culturais e sociais, aproxima as pessoas e cria ambientes mais acolhedores”, explica a professora Amanda Lang. >
Segundo ela, compartilhar momentos de humor facilita a resolução de conflitos e aumenta a confiança entre as pessoas. “Quando rimos juntos, nos sentimos parte daquele grupo. Isso fortalece relações no ambiente familiar, social e até no trabalho”, afirma. >
Do ponto de vista fisiológico, tanto o riso espontâneo quanto o riso induzido ativam mecanismos semelhantes no cérebro. No entanto, há diferenças na intensidade dos efeitos. “O riso espontâneo é mais fluido e gera uma resposta mais intensa, inclusive no aspecto social e de pertencimento. Já o riso forçado também libera substâncias positivas, mas em menor quantidade”, explica Amanda Lang. >
Em momentos de grande tensão emocional, algumas pessoas podem apresentar crises de riso aparentemente inadequadas ao contexto. Segundo a psicóloga, isso não deve ser visto como falta de respeito ou insensibilidade. “Em situações muito intensas, o riso pode surgir como um mecanismo de defesa do corpo, uma válvula de escape para aliviar a pressão emocional”, afirma. >
Ela reforça que não há motivo para culpa nesses casos. “Rir não significa desvalorizar a gravidade da situação, mas sim uma forma inconsciente de o corpo tentar lidar com emoções muito difíceis”. >
Por outro lado, reprimir constantemente o riso também pode trazer prejuízos. “Quando a pessoa se impede de rir por vergonha ou medo de julgamento, ela deixa de liberar esses hormônios benéficos e mantém níveis elevados de estresse. Guardar emoções, inclusive o riso, é muito mais prejudicial do que permitir essa expressão”, alerta. >
Com o crescimento do consumo de conteúdos humorísticos nas redes sociais, a professora faz um alerta: o riso mediado por telas não substitui as interações presenciais. “O humor digital pode trazer um alívio momentâneo, mas é superficial e de curto prazo. Rir com outras pessoas, presencialmente, gera conexões mais profundas e benefícios duradouros”, explica. >
Na infância, por exemplo, o riso também tem papel essencial no desenvolvimento psicológico. Ele estimula a criatividade, a aprendizagem, a empatia e ajuda a lidar melhor com frustrações , medos e ansiedades. “O sorriso constrói uma base emocional importante para que a criança desenvolva recursos internos para enfrentar desafios ao longo da vida”, afirma Amanda Lang. >
Para quem sente dificuldade em se permitir rir mais, a professora sugere pequenas mudanças na rotina: buscar o convívio com amigos, assistir a filmes de comédia, compartilhar histórias engraçadas e valorizar encontros presenciais. “Não existe um jeito certo de rir. Rir alto, rir baixo, sozinho ou acompanhado: o importante é permitir esse espaço de leveza no dia a dia”, conclui. >
Por Genara Rigotti >
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