Publicado em 20 de março de 2026 às 18:14
Celebrado em 20 de março, oDia Internacional da Felicidadeconvida à reflexão sobre o que realmente significa ser feliz. Em um cenário em que o Brasil aparece entre os países com altos índices de ansiedade, segundo aOrganização Mundial da Saúde, cresce também a sensação de vazio, inclusive entre pessoas que já alcançaram conquistas pessoais e profissionais. >
Para o psicanalista Lucas Scudeler, isso acontece porque há uma confusão comum entre prazer e sentido. “A felicidade não está nas conquistas em si, mas na coerência interna. Muitas pessoas estão vivendo para fora, guiadas por validação, e desconectadas de si mesmas, enquanto a felicidade real é um estado de ausência de desejo e aceitação do momento presente”, explica. >
A seguir, Lucas Scudeler apresenta cinco passos práticos, com base na psicanálise, para construir uma felicidade mais consistente e duradoura. Confira! >
Segundo o especialista, a sociedade condiciona as pessoas a viverem no hedonismo ou na via animal, assim chamado por ele. Isto é, a busca incessante por estímulos rápidos e prazer. “Isso gera apenas alívio passageiro e vício. A verdadeira felicidade vem da ‘via iluminativa’, que é o desenvolvimento de virtudes”, pontua. >
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Embora muitas pessoas sintam vazio emocional, Lucas Scudelerfaz um alerta importante: o relacionamento consigo mesmo não é o eixo principal da vida, mas ocupa um lugar essencial dentro da chamada Tríade das Prioridades. “Existe uma ordem: primeiro o Sagrado, depois você, e só então o outro. Quando essa hierarquia se inverte, a vida desorganiza”, explica. >
Outro ponto central é o conflito entre conquistas externas e identidade interna. Muitas pessoas evoluem na vida prática, mas continuam presas a personas, utilizando máscaras sociais. “O vazio surge quando a pessoa vive trocando de máscaras para agradar a sociedade ou grupos, perdendo sua autenticidade e sendo dominada pelos mecanismos de defesa do ego”, diz o psicanalista. >
Ele orienta a refletir sobre questões como: para quem você ainda sente que precisa provar algo? Qual versão sua ainda está no controle das suas decisões? Essas respostas ajudam a revelar padrões inconscientes que sabotam a sensação de realização. >
Para o especialista, a construção de um sentido de vida mais profundo é indispensável para sustentar a felicidade. Essa verticalização, isto é, saber qual sentido da vida é o mais importante, não precisa estar ligada à religião, mas deve envolver algo que transcenda o indivíduo e organize suas escolhas. Na prática, ele sugere definir valores inegociáveis, alinhar decisões a esses princípios e eliminar o que não sustenta essa base. Esse direcionamento traz mais clareza e estabilidade emocional. >
Lucas Scudeler destaca que a vida moderna nos treina a buscar sempre o conforto, o que gera ansiedade e tédio. Relações mornas, rotinas seguras e versões editadas de si mesmo são sinais comuns desse cenário. O especialista sugere que as pessoas se “autodesafiem”, pois, segundo ele, para viver uma vida verdadeira, é preciso buscar o desconforto voluntário e ter a coragem de quebrar hábitos no dia a dia. >
O psicanalista conclui que a felicidade não deve ser tratada como uma meta isolada, mas como uma decisão. “Não é um lugar onde se chega, mas uma escolha diária de ser grato e presente, independentemente das circunstâncias externas”, finaliza. >
Por Yasmin Santos >
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