O secretário estadual de Educação, Haroldo Corrêa Rocha, classifica como "preocupante" a escolha feita pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para comandar o Ministério da Educação. Na última quarta-feira (21),
da área em seu governo.
Rodriguez defende uma Educação com "valores tradicionais" e tem pensamento alinhado ao projeto "Escola sem Partido", defendido por Jair Bolsonaro e seus filhos. Para Haroldo, a escolha do próximo ministro representa uma discussão sobre Educação baseada em uma "visão ideológica", no seu entendimento equivocada.
"É preocupante. Não é disso que a educação brasileira precisa nem é o que vai fazer a nossa educação melhorar. Essa discussão [sobre o Escola sem Partido] é desnecessária e periférica. É um exagero dizer que a maioria dos professores são marxistas e que só passam aos alunos as suas próprias visões ideológicas. É claro que alguns professores fazem isso, mas a própria escola tem mecanismos de controle, de autoproteção e de garantia da pluralidade. Estão querendo trocar uma visão ideológica por outra. A discussão sobre educação está muito ideologizada", opina o secretário estadual.
A declaração foi dada por ele na tarde desta sexta-feira (23), durante o 13º Encontro de Lideranças, promovido pela Rede Gazeta.
Haroldo foi secretário de Educação durante todo o atual governo Paulo Hartung, de janeiro de 2011 até o momento. Também comandou a pasta no governo passado de Hartung (2007-2010).
Para o secretário, também é um erro tentar simplesmente proibir discussões sobre sexo e identidade de gênero em salas de aula. Primeiro, porque essa censura não vai dar certo. "A escola nunca vai deixar de discutir gênero, sexualidade."
Segundo, porque essa censura tem o efeito colateral de agravar o problema da gravidez na adolescência.
PROGRAMA DE CONSCIENTIZAÇÃO
Haroldo destaca que, em sua passagem anterior pela Secretaria de Educação, a partir de 2007, o governo realizou um programa de conscientização de estudantes da rede estadual de ensino médio, chamado "Na real: gravidez na adolescência não é legal".
Por meio de oficinas, educadores levaram informações sobre reprodução humana, DSTs e gravidez na adolescência para mais de 100 mil adolescentes em todo o Espírito Santo. "Tudo a partir do corpo humano, com informações científicas", relembra o secretário.