
Gutman Uchôa de Mendonça*
Não gosto de discutir direitos. Cada qual tem o seu. O governador Paulo Hartung acaba de anunciar que não será candidato à reeleição e não pretende colocar a mão na cabeça de um sucessor, ou melhor, o candidato de sua preferência. Ele deixará que ocorra, primeiro, as preferências partidárias para poder, no curso da campanha, dizer quem apoia. É direito seu.
Acho (direito meu) que deve ocorrer uma turbulência política no Brasil, que pode impedir a realização de eleições em outubro próximo. Seria mais interessante para a nação que surgisse uma ideia nova, revolucionária ou não, para desmanchar o quadro político nacional.
O que está aí jamais seria o socialismo que Lula e seus seguidores desejam, e muito menos chegaremos a uma democracia razoável com essa corja que atua no país e que, certamente, o governador Paulo Hartung não concorda.
Francamente, alguém de bom senso, de equilíbrio, admite que essa indecência a qual assistimos é uma democracia decente? O episódio da tentativa de soltura de Lula e a forma com que José Dirceu foi solto são um escárnio. Nenhum país onde existe um mínimo de seriedade deveria aceitar.
Paulo Hartung, no meu entender, deve estar ansioso para que chegue o fim do seu mandato, porque não está suportando esse mar de imoralidades que vem de Brasília e inunda todo país.
Continuo a afirmar que o povo brasileiro, aquela parcela consciente da tragédia que são as classes políticas e a Justiça, juntas, preferem que haja uma intervenção séria para afastar em definitivo da vida pública essa gente de má fama.
Se ocorrerem eleições, o que não acredito, pois acho que não devam ocorrer, a extraordinária maioria da classe política será chutada do poder. E, no meu entender, Hartung não merece estar nesse meio, porque ele, pelo que sempre me pareceu, é um homem muito acima dessa gente toda que anda por aí.
Aliás, o Brasil não tem muito o que buscar de grandioso e muito menos gratificante em sua classe política. Desde priscas eras, ela nunca prestou para nada. Pode prestar com quase 40 partidos assaltando o poder?
*O autor é jornalista