Pequenas mudanças nas unhas costumam passar despercebidas ou ser atribuídas apenas à estética. Mas, em muitos casos, elas funcionam como um verdadeiro painel de sinais do organismo, revelando alterações que vão desde deficiências nutricionais até doenças que exigem acompanhamento médico.
Cor, formato, espessura e textura podem oferecer pistas importantes sobre o funcionamento do corpo e, quando observadas precocemente, contribuir para um diagnóstico mais rápido.
Segundo o cirurgião geral Ernesto Alarcon, cirurgião geral especialista em videolaparoscopia, as unhas merecem tanta atenção quanto qualquer outro sinal clínico. "As unhas podem refletir alterações que acontecem em diferentes órgãos e sistemas. Nem toda mudança significa uma doença grave, mas alterações persistentes nunca devem ser ignoradas."
Quando a cor das unhas pode ser um alerta
A coloração é um dos primeiros aspectos que chamam atenção e pode indicar diferentes condições de saúde.
Unhas amareladas costumam estar relacionadas a infecções por fungos, uso frequente de esmaltes, contato com produtos químicos ou tabagismo. Em alguns casos, também podem estar associadas à psoríase e doenças pulmonares.
Unhas muito esbranquiçadas podem indicar deficiências nutricionais e merecem investigação quando persistem.
Tonalidade azulada pode sinalizar redução da oxigenação do sangue, sendo observada em algumas doenças respiratórias e cardiovasculares.
Já manchas escuras, arroxeadas ou pretas geralmente aparecem após traumas, mas também podem estar relacionadas a infecções ou, mais raramente, a determinados tipos de câncer de pele.
"Quando a alteração permanece por semanas ou surge sem uma causa aparente, é importante procurar avaliação médica", orienta o especialista.
Outro problema bastante frequente é a unha encravada. Apesar de comum, ela não deve ser subestimada. O problema geralmente está relacionado ao corte incorreto das unhas, ao uso de calçados apertados, traumas repetitivos ou até ao formato natural da unha.
Os sintomas costumam incluir:
Dor;
Vermelhidão;
Inchaço;
Sensibilidade;
Saída de secreção em casos de infecção.
Nos quadros iniciais, medidas simples podem aliviar o problema, como higiene adequada, escalda-pés com água morna e uso de medicamentos prescritos pelo médico. Entretanto, quando há dor intensa, infecção recorrente ou dificuldade para caminhar, pode ser necessário realizar um procedimento cirúrgico para remover parcialmente ou totalmente a unha.
"Quanto mais tempo o paciente adia o tratamento, maiores são as chances de inflamação e complicações locais", explica Ernesto Alarcon.
Pequenos cuidados fazem diferença
Além da higiene diária, manter uma alimentação equilibrada, evitar traumas repetitivos e utilizar calçados adequados são medidas importantes para preservar a saúde das unhas.
Mais do que um detalhe estético, elas podem oferecer pistas valiosas sobre o funcionamento do organismo.
"O ideal é não recorrer à automedicação nem tentar esconder alterações apenas com esmaltes. Quando existe alguma mudança persistente, a avaliação médica é o caminho mais seguro para identificar a causa e indicar o tratamento adequado", finaliza Ernesto Alarcon.