Quando se fala em envelhecimento, as primeiras mudanças que costumam chamar atenção são as rugas, a flacidez da pele e a perda do contorno facial. No entanto, o nariz também passa por transformações naturais ao longo dos anos. A impressão de que ele fica mais comprido ou com a ponta caída não é apenas uma percepção estética.
Segundo o otorrinolaringologista e cirurgião da face Dr. Guilherme Scheibel, fundador do Instituto Scheibel e criador do Método Scheibel de Rinoplastia Escultural, o envelhecimento afeta todas as estruturas da face, inclusive aquelas que dão sustentação ao nariz.
“Não é que o nariz simplesmente ‘despenque’. O que acontece é um enfraquecimento gradual dos tecidos que sustentam a ponta nasal, incluindo cartilagens, ligamentos e pele. Com isso, a ponta perde parte da projeção e tende a assumir uma posição mais baixa ao longo dos anos. Essa é uma mudança natural do envelhecimento facial e pode variar bastante de uma pessoa para outra, dependendo das características individuais”, afirma.
A intensidade das mudanças varia bastante de uma pessoa para outra. “Cada paciente apresenta um processo de envelhecimento diferente. Pessoas com pele mais espessa, cartilagens mais resistentes e hábitos saudáveis tendem a apresentar alterações mais discretas ao longo dos anos. Já fatores como tabagismo, exposição solar excessiva e perda importante de colágeno podem acelerar essas mudanças e tornar seus efeitos mais evidentes”, alerta.
Pele e cartilagem influenciam a aparência do nariz
Assim como acontece em outras regiões da face, a pele do nariz sofre os efeitos do envelhecimento, modificando a aparência. “Com a redução da produção de colágeno e da elasticidade da pele, ocorre uma perda gradual da sustentação dos tecidos superficiais do nariz. Esse processo não acontece de forma isolada, mas em conjunto com as alterações das cartilagens e dos ligamentos. O resultado são mudanças sutis na aparência, que vão se tornando mais perceptíveis conforme o envelhecimento avança”, explica o Dr. Guilherme Scheibel.
O envelhecimento não afeta apenas a pele ou os ossos da face. As cartilagens nasais também sofrem alterações estruturais ao longo da vida . “As cartilagens nasais passam por um processo natural de envelhecimento, perdendo parte da resistência e da capacidade de sustentação. Isso pode modificar o formato do nariz e, em alguns pacientes, interferir também na função respiratória. Por isso, quando avaliamos um paciente mais maduro, não observamos apenas a aparência externa, mas também a qualidade dessas estruturas internas”, ressalta.
O envelhecimento pode afetar a respiração
As alterações provocadas pelo envelhecimento nem sempre são apenas estéticas. Em algumas pessoas, a perda de sustentação das estruturas do nariz favorece o estreitamento ou o colapso das válvulas nasais durante a inspiração, dificultando a passagem do ar. Nesses casos, a queixa respiratória pode surgir de forma gradual e ser confundida com outros problemas.
“Quando ocorre perda de sustentação das estruturas nasais, o fluxo de ar também pode ser comprometido. Alguns pacientes procuram atendimento por dificuldade para respirar e descobrem que parte desse problema está relacionada ao envelhecimento da estrutura nasal. Por isso, é importante avaliar não apenas a estética, mas também a função do nariz durante a consulta”, explica o médico.
Tratamentos para corrigir essas alterações
Embora o envelhecimento seja um processo natural, existem tratamentos capazes de restaurar a sustentação do nariz e melhorar tanto sua aparência quanto sua funcionalidade. A indicação depende de uma avaliação individualizada, considerando as características anatômicas e as necessidades de cada paciente.
“Quando existe indicação, a rinoplastia pode reposicionar estruturas, reforçar a sustentação da ponta nasal e preservar ou melhorar a função respiratória. O mais importante é realizar um planejamento personalizado, respeitando a anatomia e as características de cada paciente, para alcançar um resultado natural e duradouro”, afirma o Dr. Guilherme Scheibel.
A rinoplastia moderna vai além da correção isolada do nariz. Atualmente, a análise da harmonia facial é considerada uma etapa essencial do planejamento cirúrgico, buscando resultados proporcionais e compatíveis com a identidade de cada pessoa. O objetivo não é criar um nariz padrão, mas valorizar o conjunto da face.
“Hoje não tratamos o nariz de forma isolada. Avaliamos como ele se relaciona com olhos, maçãs do rosto, lábios, queixo e todas as demais estruturas faciais. O objetivo é alcançar um resultado equilibrado, que respeite a identidade do paciente e promova harmonia facial, preservando sempre a função respiratória e as características naturais de cada rosto”, finaliza o médico.
Por Sarah Carvalho