Santa Teresa e Itaúnas, dois aprazíveis e incomparáveis destinos turísticos capixabas. Apesar de possuírem características bem diferentes e, portanto, atraírem públicos distintos, são, porém, dois lugares bastante conhecidos dentro e fora do Espírito Santo: a primeira é uma cidade serrana colonizada por italianos, a segunda uma vila litorânea emoldurada por dunas junto ao mar de águas quentes.
No entanto, as belezas da paisagem e as festas que marcam a cultura dos dois locais, razões que atraem os turistas, estão sob ameaça em função de situações recorrentes e fatos recentes.
Santa Teresa, famosa por sua gastronomia à base de polenta e linguiça, tem no festival de jazz e bossa um dos pontos altos do seu calendário de eventos. Já na Carretela del Vin, durante a Festa do Imigrante Italiano, houve sábia decisão dos organizadores em rever o rumo que a comemoração estava tomando, quando visitantes exaltados pela quantidade de vinho distribuído acabavam criando alguns distúrbios.
Outro problema crônico é o constante tráfego de caminhões de passagem, muitos deles carretas, que cortam a cidade para levar e trazer mercadorias para os municípios vizinhos, a despeito do enorme impacto causado no trânsito local, no nível de ruído e poluição do ar entre outros problemas. Numa inversão de prioridades, quase decidiram derrubar um casarão histórico para facilitar a passagem dos caminhões pelo Centro da cidade, o que felizmente não ocorreu. A esperança é o anúncio do governo de que iniciará estudos visando uma alternativa viária para resolver essa situação.
Mas o que parece mais grave é mesmo a descaracterização arquitetônica pela qual passa a cidade. Encravada num vale, no qual os morros que a circundam contribuem na composição de sua paisagem urbana que se soma às construções singelas da época dos primeiros colonizadores, Santa Teresa vem assistindo à transformação de sua ambiência com edifícios desprovidos de uma arquitetura que busque valorizar o singelo conjunto urbano precedente.
Já Itaúnas vive dilemas quase semelhantes, pois uma questão relacionada a um evento festivo e outra à infraestrutura impõem um seguinte impasse quase metafísico: afinal, o desenvolvimento é oportunidade ou ameaça?
Tão famosa pelo forró pé-de-serra quanto por suas dunas, uma nova casa de show entrou em conflito com a mais tradicional das festas locais: o Festival Nacional de Forró que acontece todos os anos na vila e atrai bandas e público de todo o país. E mais lamentável ainda é saber que o desfecho deste imbróglio está se dando na Justiça e não de modo amigável.
E o que pensar então do anúncio do governo de que o trecho da ES 010 até Itaúnas será (finalmente) asfaltado? Se a pavimentação acabará com o transtorno da poeira ou da lama de quem vive às margens da estrada ou até mesmo na vila e precisa se deslocar frequentemente, é certo que isso provocará o aumento do fluxo de visitantes no local, acima da sua capacidade de carga, podendo contribuir para pôr fim à tão admirada tranquilidade do lugar.
É hora das populações desses locais pensarem no que querem para seu futuro, pois são eles que fazem suas cidades, lembrando sempre daquela lógica: uma cidade boa para se viver é uma cidade boa para se visitar.