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Praça Oito

Saída pelo meio (ou não)

Publicado em 01 de Julho de 2018 às 19:58

Públicado em 

01 jul 2018 às 19:58
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Ilustração para coluna Praça Oito Crédito: Amarildo
A busca por uma saída alternativa em meio à radicalização que permeia a pré-campanha levou ao segundo lançamento do mesmo manifesto “Por um polo democrático e reformista”, desta vez na última quinta-feira, em São Paulo, em evento organizado pela Roda Democrática, que tem como um de seus principais expoentes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Integrado por intelectuais e políticos, são esses últimos que podem ditar os rumos práticos da ideia, que é encontrar um nome viável para disputar a Presidência da República e fazer frente ao deputado federal Jair Bolsonaro, famoso por declarações degringoladas e pelo pouco apreço à democracia. Em prol de um escolhido, ou escolhida, os outros declinariam das candidaturas.
A fuga dos extremos, leia-se o nome do militar da reserva e seus seguidores, e também o populismo de esquerda é, em tese, um objetivo sensato. Na prática, é mais difícil. Entre os pré-candidatos que representariam esse caminho do meio, a maioria patina nas pesquisas eleitorais. A Rede de Marina Silva, a melhor colocada, que chega a empatar tecnicamente com Bolsonaro em primeiro lugar no cenário sem Lula – de acordo com a mais recente pesquisa Ibope, o deputado tem 17% e a ex-senadora, 13% das intenções de voto – enviou pela primeira vez um representante à Roda. O coordenador do programa de governo da Rede, João Paulo Capobianco, no entanto, deixou claro: “Não viemos aqui fazer arranjos eleitorais”.
Sobram Geraldo Alckmin (6%); Alvaro Dias (3%); Flavio Rocha, Henrique Meirelles e Rodrigo Maia, cada um com parco 1%. Ciro Gomes (8%), pelo tom do evento de quinta-feira, é relegado ao campo dos extremos.
“Neste momento, indicar fulano ou sicrano mais atrapalha do que ajuda”, avalia Tibério Canuto, coordenador nacional da Roda Democrática.
Questionado sobre se, além dos percentuais de intenção de voto, a dificuldade de tornar alguns desses nomes palatáveis não poderia estar na identificação com o encalacrado governo Temer (Meirelles tem o DNA do MDB; o DEM de Rodrigo Maia integra o governo federal; o PRB de Flavio Rocha, também, e o PSDB de Alckmin tenta se distanciar), Canuto avalia que “parte do MDB”, aí incluído o próprio Meirelles, “no limite”, também estaria no campo democrático que deveria se unir, mas reconhece que a sigla tem um peso negativo.
No evento mais recente em prol do “polo democrático” estiveram presentes, além da Rede, o Podemos de Alvaro Dias, com a senadora Rose de Freitas, PSD, PPS, PV e PSDB. O governador Paulo Hartung, do MDB, também compareceu. Para ele, a possível pecha governista “não tem a menor relevância”. “O jogo não está passando por aí”, afirma.
Uma coisa pela qual o jogo está passando é a polêmica em torno da expressão “centro”, rechaçada pelos integrantes da Roda Democrática. O receio é que a palavra remeta ao “centrão” da Câmara e levante suspeitas quanto à baixa qualidade do espectro político dos pré-candidatos citados. “Essa é uma maneira pejorativa de se referir ao movimento”, afirma o cientista político Fernando Pignaton, que endossa o manifesto. Em oito páginas, de fato, o texto não registra a expressão “centro”. Em 17 pontos, prega “defesa intransigente da liberdade e da democracia”; “luta contra todas as formas de corrupção”; “reformar nosso sistema previdenciário injusto”; “combate a todas as formas de autoritarismo e populismo”, entre outras questões.
Pignaton compara o atual movimento antiextremos à interlocução política que antecedeu a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral em 1985. “O Ulysses (Guimarães) estava à frente do movimento (Diretas Já), tinha que ter unidade da candidatura para representar o campo democrático e o Ulysses retirou a candidatura em prol do Tancredo. Assim, Tancredo venceu a ditadura”, lembra.
Mas não falta combinar com os russos? Que força teria o movimento de hoje diante da preferência – em eleições diretas – pelos extremos? “A sociedade brasileira tem uma maioria, que varia entre 50% e 65%, que não admite saídas extremistas, nem à direita nem à esquerda. Isso ainda não se reflete nas pesquisas porque é o tempo histórico”, avalia. Ele pondera, no entanto, que o objetivo não é apenas ganhar a eleição: “A democracia está em risco. É preciso identificar os riscos. Na extrema esquerda, os bolivarianos, representados pelo lulismo, que pode ser herdado pelo Ciro. Na extrema direita, o Bolsonaro. E juntar a direita democrática, a esquerda democrática, os sociais-democratas, todos em defesa da democracia. Se o Bolsonaro ganhar, ou se o populismo de esquerda ganhar, esse movimento continuará. Será mais necessário do que nunca”.
Hartung antevê um quadro eleitoral mais claro a partir das pesquisas de julho – mês no qual já estamos. Já o ex-deputado Eduardo Jorge (PV) é mais pessimista: “As pesquisas não mudam desde novembro e tenho convicção de que não vão mudar. A situação é dramática”, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo”.
Paulo Baía: "É uma união fictícia, forjada a partir de uma ideia irreal"
O cientista político Paulo Baía, da UFRJ, conta que acompanha as discussões da Roda Democrática e as considera idealizadas, distantes da realidade da corrida eleitoral e da percepção da população.
Cientista político e professor da UFRJ, Paulo Baía vê o movimento do polo democrático como uma resposta desesperada à “ameaça Bolsonaro”, mas com poucas chances de sucesso. Ao contrário dos integrantes da Roda Democrática, ele não se faz de rogado ao usar o termo “centro” para se referir aos pré-candidatos que seriam alternativas aos “extremos” e aponta os pontos fracos dessa estratégia.
O movimento em prol da união de pré-candidaturas é viável?
Não creio ser viável uma candidatura de centro. Primeiro pela definição de centro. Não há definição clara nem grupo de identidade capaz de tornar isso majoritário. E as candidaturas de centro são vistas como vinculadas à corrupção. Esse talvez seja o principal entrave dessa ideia genérica da Roda, de convergência.
Tem a Marina Silva ...
Ela leva certa vantagem em função da posição na pesquisa. Mas fragilizaria a candidatura dela se firmar como de centro e receber esses apoios porque é um centro contaminado pela crise ética. Essa é a grande dificuldade de se obter essa união. É uma união fictícia, forjada a partir de uma ideia irreal.
É uma ideia que tem à frente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele errou a mão então?
Creio ser tarde para ele fazer essa articulação.
Se as pesquisas já indicam quem tem mais chances, por que os outros já não abrem mão das pré-candidaturas em prol de alguém mais viável?
É o exercício da política. Até entendo esse movimento, que é de desespero diante da candidatura do Bolsonaro, que está consolidada. A resistência é porque o centro não existe. Esse centro democrático é hipotético. Ele não cruza com a realidade. Acompanho os debates da Roda Democrática e eles debatem um cenário idealizado. Os pré-requisitos teóricos não se enquadram na realidade política. Há as realidades regionais. A lógica regional pesa muito.
Por exemplo...
Uma candidatura unificada com a Marina, por exemplo, atrapalharia o projeto do Eduardo Paes (DEM), já que o candidato da Marina no Rio, Miro Teixeira (Rede), não tem viabilidade. Em São Paulo, o Alckmin apoia, de certa forma, ao mesmo tempo o João Doria (PSDB) e o Márcio França (PSB) ao governo. Tirar o Alckmin da disputa presidencial atrapalharia a engenharia regional de São Paulo. E isso se repete em cada Estado. Quem está falando em união do centro democrático está desconhecendo a dinâmica.
 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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