O grupo de Rodney Miranda aposta em Tiago Leal (PRB), ex-secretário de Meio Ambiente de Itapemirim, para fazer frente a Theodorico Ferraço no Sul. Resta ver o desempenho do rapaz
A ida da senadora Rose de Freitas para o Podemos foi indigesta para dezenas de pré-candidatos capixabas que queriam ir à eleição dentro de um partido fiel ao governador Paulo Hartung. Por outro lado, não poderia ter sido melhor para a cúpula nacional da legenda, que tem o senador Alvaro Dias (PR) como pré-candidato à Presidência da República.
Figurando na casa dos 3% na sua difícil saga rumo ao Planalto, Alvaro Dias teria sua campanha no Estado, no máximo, feita no palanque de uma possível candidata ao Senado do Podemos, a médica Jéssica Polese. Embora conhecida nos atos pró-impeachment em Vitória, há dúvidas sobre qual seria o real desempenho dela.
Rose está longe de representar alguma renovação, mas a longa trajetória política dela não deixa dúvidas de que consistência eleitoral ela certamente tem. Colegas de plenário, Alvaro e Rose, podem ajudar um ao outro.
Não há dúvidas. A entrada da senadora no partido foi uma decisão de cima para baixo, de acordo com fontes ligadas ao partido. Membros e pré-candidatos do Podemos no Estado só tomaram ciência da chegada de Rose no fim da tarde de sábado, último dia da janela partidária.
Não adianta dizer que o presidente Gilson Daniel, com quem ela tem boa relação, fora avisado com antecedência. As rédeas do Podemos eram do deputado Hudson Leal (agora no PRB). Cabia a ele promover as filiações e organizar a chapa de pré-candidatos.
Vale lembrar que o Podemos nada mais é do que o PTN com outro nome. E foi pelo PTN que Hudson começou a se destacar nas articulações e na “matemática” de bastidores, ainda em 2012, na construção da chapa de vereadores do partido, em Vila Velha - de onde ele sonha ser prefeito.
Gilson chegou ao Podemos em julho de 2017, após anos no PV. O prefeito de Viana, aliás, nem sequer se manifestou sobre a fissura no partido.
Diferentemente de Gilson, a relação azeitadíssima de Hudson Leal é com Hartung e com os membros do governo. Há relatos, inclusive, de reunião entre o deputado e o então chefe da Casa Civil, Zé Carlinhos, para alinhamento de ponteiros, antes da reviravolta.
De uma hora para outra, quase literalmente, o “podemos” de Hudson Leal virou um “perdemos”. Começou o esvaziamento. Estima-se que ele havia filiado cerca de 80 membros, entre pré-candidatos competitivos ou não, e que ao menos 40 partiram com ele, rumo a PRB, PRP e PTB.
Se Hudson perdeu ao ver desmoronar a chapa que construiu, Rose também não ganhou. Além de um partido esvaziado – que já de saída nem se compara à megaestrutura do PMDB –, “dissidentes” já espalham uma crítica que ela deverá enfrentar com seriedade: a eventual vitória de Rose ao governo daria a um paulista, o suplente Luiz Pastore, uma cadeira do Espírito Santo no Senado.
“Já conversei com prefeitos. Eles dizem que o compromisso deles foi com a Rose senadora. Ela trabalhou por eles. E qual compromisso o suplente terá com o Estado?”, questiona um observador que conhece bem Rose e o Podemos.
Até o fechamento da janela, pequenas causas e interesses pessoais reinaram. Que daqui para a frente seja diferente.
O que era ruim piorou
Em 2014, os 30 deputados estaduais eleitos eram de 17 partidos diferentes, sendo que oito dessas agremiações eram representadas por um único deputado. A janela partidária de 2018 aumentou essa representação (de quem?) para 19 legendas, sendo que 11 delas têm “bancadas” formadas por um único parlamentar.
Ação e reação
Não foi determinante na decisão, mas a quase ida de André Garcia para o PSDB preocupava pré-candidatos a deputado estadual do partido. “Ficaram temerosos”, disse um admirador do ex-chefe da Segurança. No PMDB, Garcia balanceou os desfalques e, ainda, tornou-se um coringa de Hartung, para o caso de o governador precisar lançá-lo em disputa que não a de deputado estadual. Com Garcia e Ricardo Ferraço no PSDB seria mais difícil, frisou um aliado.
Combate à corrupção
A ONG Transparência Capixaba elaborou e pretende distribuir a todos os candidatos de 2018 um documento com 25 propostas para que eles se comprometam com medidas de combate à corrupção e aperfeiçoamento de políticas públicas.
Combate à corrupção 2
Entre elas, a de acompanhar a evolução patrimonial dos servidores públicos, a de criação de força-tarefa para buscar agilidade na tramitação de processos judiciais contra servidores que envolvem corrupção e improbidade administrativa e de uso de “critérios de qualidade mínimos e objetivos” para preencher cargos comissionados. Confira aqui o documento.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.