O líder do governo na Assembleia, Rodrigo Coelho (PDT), é o nome apoiado pelo Palácio Anchieta e pessoalmente pelo governador Paulo Hartung para ocupar a vaga do conselheiro José Antônio Pimentel no Tribunal de Contas do Estado (TCES). Por iniciativa do próprio Hartung, os dois conversaram sobre a vaga no último sábado, dois dias após Pimentel ter dado entrada no pedido de aposentadoria – primeiro passo para a vacância da cadeira, que deve ser oficialmente declarada hoje.
No encontro, Hartung encorajou Rodrigo a assumir a vaga, a partir de um plano que já está todo costurado e que passa diretamente por outro grande aliado governista: o presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB). Rodrigo não precisará mover uma palha. Apenas entrar em campo na hora certa. E essa hora é o quanto antes, pois o governo tem pressa em consumar a nomeação.
Fontes envolvidas nessa articulação asseguram: na edição de hoje, o Diário Oficial do Estado trará a publicação do ato do IPAJM que dará caráter oficial à aposentadoria de Pimentel. Cumprida essa exigência, começa a contar o prazo de dez dias corridos para que deputados, bancadas partidárias e Mesa Diretora indiquem cidadãos para a vaga de conselheiro.
Ainda hoje, o TCES deve protocolar ofício comunicando oficialmente à Assembleia a vacância do cargo no tribunal (uma formalidade que em nada afeta a contagem do prazo). Mais importante: a Mesa Diretora deve publicar, no Diário do Poder Legislativo, o ato que abrirá o prazo para indicação dos postulantes para preenchimento da vaga.
Um detalhe eloquente prova a articulação para acelerar o processo: inicialmente, não haveria expediente hoje na Assembleia. Desde dezembro de 2017, estava marcado recesso de hoje até sexta-feira (19) para manutenção predial do Palácio Domingos Martins. Mas, no Diário Legislativo de ontem, foi publicado ato da Mesa (Erick) encurtando o recesso em um dia: só amanhã e sexta-feira.
Ou seja, antes não haveria expediente hoje. Agora, expediente normal. Para quê? Para cumprimento de todas as formalidades, de modo que o prazo possa contar e ser todo consumido durante o recesso parlamentar. Assim, tão logo os deputados voltem aos trabalhos, no dia 1º de agosto, já poderão realizar a votação para escolha do novo conselheiro. Antes mesmo do início da campanha eleitoral, tudo pode já ter sido resolvido.
Para dar ainda mais legitimidade à escolha de Rodrigo e não dar chance a surpresas, ficou combinado que Erick vai se encarregar pessoalmente de recolher as assinaturas dos colegas em apoio ao líder do governo.
O deputado Dary Pagung (PRP) é o único que confirma manter interesse na vaga, mas não tem chances na disputa. Marcelo Santos (PDT) chegou até a colher assinaturas, no fim do ano passado, de olho em outra vaga a ser aberta no TCES (a de Valci Ferreira). Ontem, declarou à coluna que não trabalha mais para ser nomeado conselheiro.
“Estou me dedicando exclusivamente ao processo eleitoral de 2018. O tempo de tratar questões como essa já passou. Agora é tempo de tratar de eleição”, declarou Marcelo. Para completar, encheu Rodrigo de elogios. “Tem todos os pré-requisitos para ser conselheiro.”
Por sua vez, Rodrigo está cauteloso e mantém aquele discurso protocolar de quem não quer se comprometer. Nem estragar tudo antes da hora. A prudência se justifica, já que, em dezembro de 2016, Rodrigo jogou por terra a possível eleição a presidente da Mesa por ter se precipitado em anunciar candidatura à imprensa. Parece ter aprendido a lição.
Mais uma vez, enfim, Hartung pode não ter colocado o dedão para ungir seu preferido. Mas claro está que a substituição a toque de caixa do conselheiro Pimentel tem a sua indelével digital.
Coincidência ou não
Na noite do último dia 9, o presidente do TCES, Sérgio Aboudib, esteve no Palácio Anchieta conversando com Paulo Hartung, atendendo a um chamado pessoal do governador. Três dias depois, José Antonio Pimentel requereu aposentadoria à direção do tribunal.
Em comum
Tanto Aboudib como Pimentel ocuparam o cargo de secretário-chefe da Casa Civil de Hartung em seu segundo governo (2007-2010). Para ser mais preciso, o segundo substituiu o primeiro no referido cargo, em outubro de 2009. E ambos sempre foram considerados aliados políticos de Hartung.
Despedida de Marcelo
O deputado Marcelo Santos afirma não ter interesse em ocupar a vaga aberta no TCES a partir da aposentadoria de Pimentel. Mas manda avisar: “Esta será a última eleição a deputado estadual que eu disputo”. Anotaram?
O único fator de risco
O plano do governo para trocar Pimentel (um problema e queimação de filme) por Rodrigo Coelho (uma solução renovadora) parece muito bem amarrado, mas é preciso estar atento apenas a um detalhe: o quanto a tensão pré-eleitoral pode atrapalhar o arranjo. A base hoje está tão instável que vá lá saber com que humor voltarão os deputados no dia 1º de agosto. E se Casagrande também entrar nesse jogo?
Divisão no Pleno
É vital para Hartung emplacar um aliado de primeira hora no Pleno do TCES, até para equilibrar um pouco mais a influência política por lá – hoje mais pendente para Casagrande. O ex-governador “tem” Sérgio Borges (líder do seu governo), Rodrigo Chamoun (ex-PSB) e Domingos Taufner (ex-PT, partido historicamente bem relacionado com o PSB). Outrora aliado, Carlos Ranna se afastou de Hartung, como indicam algumas das decisões do conselheiro nos últimos anos. Resta Sérgio Aboudib.
Euclério: “É ficha-limpa”
No dia 1º de abril de 2010, quando a Assembleia discutia a nomeação de Pimentel para a vaga aberta com a aposentadoria de Enivaldo dos Anjos, o deputado Euclério Sampaio, que então fazia oposição ao segundo governo de Hartung, declarou a sua adesão ao nome. “Pimentel é nome leve, que agrada. É ficha-limpa.” Para lembrar: o conselheiro foi afastado pelo STJ por suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Apertem os cintos, o presidente sumiu!
Mergulhado até a alma nas articulações da chapa do PRB e na substituição de Hartung na eleição ao governo, o presidente da Assembleia, Erick Musso, nem sequer pisou ontem na Casa.
Respondendo à ligação
O PSDB hartunguista responde ao telefonema adversário com outro telefonema. Explico: ontem Geraldo Alckmin (PSDB) ligou para Casagrande para sondá-lo sobre uma aliança com o PSB no Espírito Santo em troca da neutralidade do partido na corrida presidencial.
À noite, o coordenador da pré-campanha de Alckmin, Marconi Perillo (PSDB), ligou para Colnago e para Hartung, incentivando o lançamento de candidatura tucana ao Palácio Anchieta. A informação é da assessoria do vice-goevrnador.
Tucano fênix
A propósito, o destaque de ontem nas articulações do Clube dos Dez (bloco de partidos da base de Hartung) foi o inesperado renascimento de Colnago na mesa de discussões. Na noite de segunda-feira, ele tinha sido praticamente descartado como possível substituto de Hartung na cabeça da chapa ao governo. Da noite para o dia, apesar da pesquisa Futura ruim para ele, o nome do vice voltou para a roda com força.
Frenético
O próprio Colnago mantém as movimentações frenéticas para se viabilizar. Ontem conversou com Serjão Magalhães (PTB), com Neucimar Fraga (PSD), com Zé Carlinhos da Fonseca (PSD), com Roberto Carneiro (PRB), com todo o mundo. As duas cartas na mesa seguem sendo Colnago ou Aridelmo Teixeira (PTB). O bloco trabalha a possível acomodação de ambos na chapa, com um dos dois na vice.
Rodney passa
A propósito, Rodney Miranda (PRB), que chegou a ser convidado para ser vice de Aridelmo Teixeira (PTB), agradeceu e recusou o convite. Mantém candidatura a deputado federal.
PMN lá e cá
Ainda integrante da base de PH, o PMN é outra sigla que abriu conversas com oposicionistas: no domingo, três dirigentes do partido falaram com o PSB de Renato Casagrande. Na segunda, a conversa foi com o Podemos da senadora Rose de Freitas.