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Opinião da Gazeta

Risco político pesa no movimento dos mercados

Investimentos inibidos pela ociosidade das empresas, por baixo nível de consumo e por incertezas eleitorais reduzem o fôlego do PIB

Publicado em 02 de Setembro de 2018 às 22:16

Públicado em 

02 set 2018 às 22:16

Colunista

Embora não surpreenda, a economia esteve praticamente estagnada no segundo trimestre deste ano. O crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto, na comparação com os três meses anteriores, mostrou deterioração de indicadores cruciais. Vários analistas já projetam expansão do PIB próxima a 1% em 2018 – um terço do imaginado há poucos meses.
Esse quadro é um grave alerta ao país. Faz crer que a recuperação da dinâmica econômica anterior à recessão (iniciada em 2014) só será possível a partir de 2021. Ou 2022 – se o próximo presidente e o Congresso realizarem uma reforma na Previdência capaz de reduzir o avanço do buraco nas contas públicas. É condição essencial para reanimar, pelo menos em parte, a confiança dos investidores.
Antes da greve dos caminhoneiros, a mediana das projeções previa que o resultado do PIB de abril a junho seria o dobro, ou até mais, de 0,2% apurado pelo IBGE. Mas, o cenário mudou radicalmente. Os 11 dias em maio sem transporte de carga levaram várias atividades ao colapso. Sem insumos para produzir e nem ter como escoar seus produtos, muitas fábricas suspenderam as atividades e o comércio sofreu escassez de mercadorias, resultando brutal queda de faturamento e demissões.
No campo, produtos perecíveis se estragaram e animais morreram por falta de alimento. Ou foram doados. Em Santa Maria de Jetibá, no interior capixaba, num único dia avicultores distribuíram gratuitamente à população 50 mil galinhas, por não ter ração para mantê-las. Os prejuízos do agronegócio chegaram a R$ 2 bilhões no Estado, segundo estimativa do setor.
Algumas atividades começaram a esboçar recuperação a partir de junho, mas no cômputo geral a economia perdeu o embalo do crescimento. O risco político passou a pesar mais no movimento dos mercados. O baque das atividades em maio e a quebra de confiança dos empresários criaram o aspecto mais preocupante da radiografia do PIB no segundo trimestre: o recuo de 1,8% nos investimentos, ante os três meses anteriores – fator que vai retardar a retomada da expansão da produção e dos serviços. O emprego patina. No Espírito Santo, a quantidade de pessoas desocupadas, estimada pela PNAD entre abril e junho, atingiu 257 mil.
A desaceleração brasileira chama a atenção mundialmente. Os países do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, e China) cresceram em média 4,4% no segundo semestre deste ano. A reversão desse desgaste exige urgência na implementação de ajuste fiscal, passando pela reforma da Previdência, para evitar fuga de investimentos.
 

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