Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Rezo por meu amigo, logo eu que não sei rezar
Paulo Bonates

Rezo por meu amigo, logo eu que não sei rezar

Poderia contar aqui dezenas de situações durante o desenrolar de minha carreira nas quais ele foi insubstituível. Trabalhamos juntos em muitos lugares

Publicado em 12 de Julho de 2018 às 17:29

Públicado em 

12 jul 2018 às 17:29
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates Paulo Bonates
Paulo Bonates*
Olhava para nós, como Deus olha do céu, dispondo.
Dividia seu poder com quem necessitasse. Amigo de verdade e benfeitor de qualquer pessoa que precisasse dele. Não se preocupava com as benesses do cargo. Não fazia nada para ser uma das pessoas mais amadas que jamais conheci. Apenas era. Era ele mesmo, ele e sua infinita bondade, sua capacidade de ver no outro um semelhante.
Foi um dos precursores da psiquiatria humana no Espírito Santo. Formavam um grupo homogêneo com a, digamos, seguinte escalação: Cesar Mendonça, Gilvandro Pinto, José Carlos Pereira do Vale, Alaor Queiroz de Araújo, e, naturalmente, Alcides Pereira da Silva.
Cidinho não sabia e não queria dizer não diante de uma necessidade, um pedido de quem quer que fosse. Eu sabia que já andava se preparando para melhorar o time de Deus, mas quando Sérgio, seu filho deu-me a notícia de sua morte, reagi como quem se espanta diante de uma coisa impossível. Para mim, particularmente, foi um amigo, uma espécie de eternidade.
Imagino o que Cidinho anda a ser no céu, onde não há muito o que fazer. Deve estar olhando por nós, pela sua família. Rezo por ele, logo eu que não sei rezar. Talvez lhe cante uma canção de viola, e dele há muito que lembrar, lembro muito
Poderia contar aqui dezenas de situações durante o desenrolar de minha carreira nas quais ele foi insubstituível. Trabalhamos juntos em muitos lugares. Os clientes tinham uma verdadeira adoração por ele e seu sorriso de conforto com extrema paciência e calma. Dizem que a paciência é a mãe das virtudes. É, deve ser.
Eles introduziram a humanidade no hospital Adauto Botelho. Quando foi dirigir a então Fundação Hospitalar, unidade gestora da psiquiatria no Espírito Santo, fui também. Um dia pedi que promovêssemos um curso de especialização psiquiátrica que seria oficializado pela Associação Brasileira de Psiquiatria de grande importância para a categoria e para a prática dessa arte.
Foi assim que pude organizar o curso que trouxe a Vitória a fina flor da especialidade no Brasil, todos decanos da ABP, além dos doutos colegas capixabas. Euclides Brotto foi o diretor técnico. E assim se deu.
Depois disso, a maioria de nós enveredou pelos mestrados, doutorados etc. Mas aquele empurrão carinhoso do Alcides foi o hot point, a sustentação do gosto pela formação necessária.
Imagino o que Cidinho anda a ser no céu, onde não há muito o que fazer. Deve estar olhando por nós, pela sua família. Rezo por ele, logo eu que não sei rezar. Talvez lhe cante uma canção de viola, e dele há muito que lembrar, lembro muito.
E Deus, quando precisar tirar uma soneca, parece que estou vendo: “Alcides dá uma olhada no pessoal lá de baixo.”
*O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista
 

Paulo Bonates

Paulo Bonates Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ackson Zuliani Quartezani, motociclista morto em acidente
Motociclista morre em acidente em Conceição da Barra
Viaturas da Polícia Rodoviária Federal em Viana, ES. Viaturas e agentes da PRF na Rodovia BR-262
Três pessoas morrem em acidente na BR 101 em São Mateus
Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, candidatos à presidência
Quaest: Lula e Flávio empatam com 41% no segundo turno; Cury vai de 10% para 8% no primeiro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados