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Papo aberto

Saiba como falar sobre sexo com os filhos

Os pais precisam se informar adequadamente sobre a vida sexual dos filhos e também ser honestos ao contar pra eles sobre os próprios encontros e desencontros

Publicado em 05 de Setembro de 2019 às 15:37

Publicado em 

05 set 2019 às 15:37
Falar de sexo com os filhos não é tarefa fácil pra muitos pais. Por quê? Porque, por incrível que pareça, sexo ainda é tabu em nossa cultura. Conversamos quando não há pessoalidade ou intimidade. Em torno da cerveja, após a partida de futebol ou nos salões de beleza, homens e mulheres falam o quanto são incríveis na cama, quase atletas sexuais. Ainda bem que suas parceiras e seus parceiros não escutam rsrsrs. Não tivemos o hábito de falar de amor, afeto e sexo com os nossos pais. Tudo era proibido antes do casamento e tudo era permitido depois do casamento. Mas o mundo não se resume a isso.
Nossos filhos têm acesso às informações, muitas delas de valores bem questionáveis. Boa parte dos jovens acima de 16 anos sabe da importância do uso da camisinha, mas, mesmo assim, as estatísticas de doença sexualmente transmissível e gravidez indesejada continuam crescendo e destruindo vidas produtivas.
Nós, pais, precisamos nos informar adequadamente sobre a vida sexual dos nossos filhos e sermos honestos ao contar pra eles sobre nossos encontros e desencontros. Da mesma forma que podemos orientá-los sobre o que fazer pra tentar ser feliz e como impedir que outras pessoas nos façam infelizes. Brigamos sobre política, conversamos sobre diversas doenças, mas não podemos falar sobre amor e sexo?
Sobre felicidade? Como evitar dores físicas e emocionais se fecharmos os olhos e lançarmos quem amamos à própria sorte – ou azar.
Como falar? Falando. Acreditando que o que você viveu – e aprendeu – é uma verdade. Isso dá a você mais segurança. Lembre-se que, teoricamente, seu filho também se informou. O debate será rico e necessário, e não uma aula autoritária, como recebemos no passado.
Deixar que eles perguntem pode ser uma boa opção, mas há aqueles que não perguntam, que não têm intimidade com os pais para isso, que têm medo de castigo. Uma dica é assistir ao que eles costumam ver no YouTube ou na Netflix. Ver até mesmo a pornografia que eles estão vendo pra poder conversar sobre o que é real e o que não é em uma relação amorosa. Dar a eles o seu testemunho e vivência de uma realidade real e não virtual. São exemplos possíveis, claro, com nossas dificuldades. Quem foi que disse que criar filhos é fácil?
Tive clientes que pagavam para os filhos terem informações corretas comigo. Admitiam que não conseguiam, mas valorizavam a importância. Famílias já contrataram meus serviços para um grupo de 10 jovens. É fundamental ter humildade para reconhecer quando há dificuldade, mas o importante é ter criatividade para vencer barreiras, porque o ideal é a conversa entre pais e filhos. Isso torna os pais vitoriosos, e os filhos, mais aptos a escolhas complexas.
Proibições sem diálogos aumentam as chances de fazerem escondido, de não pedirem ajuda se precisarem e, o pior, de se distanciarem das relações afetivas e familiares. Quando o adolescente ou o jovem não se sente aceito ou é criticado dentro da própria família – que, teoricamente, deveria apoiá-lo, orientá-lo e amá-lo – acaba sofrendo ou tendo problemas emocionais. Os mais diversos.
Pais e mães, se nós não dermos essa orientação, alguém dará. E, com certeza, não serão pessoas ou sites que têm a mesma opinião ou os mesmos princípios que nossa família. Só um alerta: nossa moral familiar também precisa ser repensada. Ela nos acompanha há séculos e adequá-la aos novos tempos não é abandoná-la. Podemos passar nossos valores e procurar entender a posição de nossos filhos. E eles precisam entender o que queremos e por que queremos tal comportamento, o que conseguimos e o que não conseguimos fazer. Assim, o entendimento será construído.

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