Sair
Assine
Entrar

Jardineira das florestas

Pesquisadores capixabas aplicam nova técnica para proteção das antas

Eles fazem a identificação desses animais por meio da pegada deles. Entenda mais a importância dessa técnica para a conservação desse que é o maior mamífero terrestre

Publicado em 15 de Maio de 2018 às 14:26

Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 mai 2018 às 14:26
Anta, o maior mamífero terrestre Crédito: Peter Schoen/Projeto Pró-Tapir
Pesquisadores capixabas estão aplicando uma técnica diferente que contribui para a conservação do maior mamífero terrestre: a anta. Eles estão conseguindo fazer a identificação desses animais por meio da pegada deles. O estudo foi liderado pela pesquisadora Danielle de Oliveira Moreira e publicado recentemente na Revista Peerj.
“É uma técnica inovadora, eficiente e de baixo custo. Até então, o modo de identificação aplicado exigia a captura do animal para que fosse anestesiado. Era preciso levar um veterinário junto e muitos medicamentos”, explica Andressa Gatti, doutora em Biologia Animal e coordenadora do Programa Pró-Tapir.
O programa existe desde 2011, vinculado à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e conta com seis pesquisadores, além de colaboradores até de outros estados e países.
Segundo a especialista, o estudo foi realizado em uma das mais importantes áreas da Mata Atlântica, o complexo florestal Linhares-Sooretama, situado no norte do Estado. Os pesquisadores vão pelas trilhas seguindo o rastro deixado pelas antas e fotografando cada pegada.
“A gente precisa fotografar sempre a pegada traseira esquerda da anta, que é a que melhor representa a característica do bicho. Cada pegada é única de uma anta para outra. Depois, jogamos os dados em um programa que faz a análise de similaridade e vai agrupando. Assim, conseguimos identificar o número de indivíduos diferentes em cada local”, detalha ela.
Vantagens
Pesquisadoras fotografando as pegadas das antas Crédito: Projeto Pró-tapir
Essa técnica também tem vantagens em relação às armadilhas fotográficas, usadas nos estudos de outras espécies. “O procedimento consiste em colocar o equipamento na mata. Um sensor de movimento e temperatura vai registrar quando o animal passar. Mas com a anta não dá muito certo porque ela não tem marca como a onça pintada, por exemplo, exceto quando apresenta alguma cicatriz mais evidente”, diz Andressa.
A Tapirus terrestris, como é cientificamente chamada essa espécie comum na América do Sul, é muito importante para a natureza. Não à toa, recebeu o apelido de “jardineira das florestas”. “A anta consome frutos grandes, que outras espécies não conseguem consumir. Como ela se desloca por grandes distâncias, acaba dispersando as sementes. Por isso, é fundamental para a diversidade da floresta”, aponta Andressa.
A espécie, porém, está em perigo de extinção nas matas do Estado. “A caça da anta não é mais tão forte aqui no Estado. O maior impacto vem dos atropelamentos nas rodovias. Perdemos recentemente uma anta fêmea adulta, já perdemos uma grávida”, destaca.
Saiba mais sobre a "Jardineira das florestas"
Tamanho - A anta, cientificamente chamada de Tapirus terrestris, é o maior mamífero do Brasil, podendo atingir até dois metros de comprimento e pesar até 250 quilos.
Dieta - É um animal de hábitos noturnos e herbívoro. Gosta, principalmente, de frutos de grande porte e folhas.
Espécies - Existem pelo menos quatro espécies de anta no mundo. No Brasil e na América do Sul, é a Tapirus terrestris. Há ainda outras espécies na América Central, nos Andes e na Ásia.
Onde vive -  A anta podia ser encontrada por todo o território do ES. Agora, existe em algumas áreas de reserva, como em Sooretama e Conceição da Barra.
Papel na natureza - É apelidada de “jardineira das florestas”, por ser dispersora de sementes por longas distâncias, contribuindo, desta forma, para a formação e manutenção da biodiversidade onde vive.
População - A previsão é que os últimos remanescentes desapareçam em pouco mais de 30 anos. No ES, onde estima-se que restem em torno de 200 animais, a anta já é considerada em perigo de extinção.
Sobre o estudo: https://peerj.com/articles/4591/ Projeto Pró-Tapir/Divulgação Pesquisadoras fotografam as pegadas do animal, que está em perigo de extinção no Estado Ilustração/Shutterstock

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
O que prevê o acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano — e o que esperar a partir de agora
Teste da picape Nissan Frontier Attack
Versão Attack da Frontier cumpre bem seu papel dentro da família da picape média da Nissan
Investimentos, reforma tributária, aplicação financeira, mercado financeiro
Para ganhar do CDI, esqueça o CDI

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados