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Estudo

Ingestão de remédios fortes na infância aumenta risco de alergias

Em crianças que tomaram antiácidos e antibióticos nos primeiros seis meses de vida, as chances de desenvolver alergias alimentares e asma foram 50% maiores

Publicado em 02 de Abril de 2018 às 20:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

02 abr 2018 às 20:18
Antibióticos e antiácidos para crianças? Estudo sugere relação desses medicamentos com maior propensão a alergias Crédito: Pixabay
Um novo estudo publicado nesta segunda-feira (2) na publicação científica Jama Pediatrics sugere que crianças que ingerem antiácidos como ranitidina ou Famodine (famotidina) e antibióticos são mais propensas a desenvolver alergias infantis, provavelmente porque essas drogas podem alterar as bactérias naturais do intestino.
Pesquisadores analisaram os registros de saúde de cerca de 800 mil crianças americanas nascidas entre 2001 e 2013, que tinham o plano de saúde Tricare, um convênio médico para familiares de militares ativos e aposentados, e relacionaram a ingestão de antiácidos e antibióticos com o desenvolvimento de alergia.
Foi constatada uma taxa surpreendente de 9% de bebês que receberam antiácidos para tratar refluxos. Por quatro anos, mais da metade das crianças desenvolveram alergias a alimentos e medicamentos, erupções cutâneas, asma ou outras doenças relacionadas a alergia. O estudo não conseguiu provar as causas, mas a conexão com antiácidos e antibióticos foi alarmante.
Em crianças que tomaram antiácidos durante seus primeiros seis meses de vida, as chances de desenvolver alergias alimentares dobraram; já as chances de desenvolvimento de reações alérgicas severas, seja anafilaxia ou febre, foram 50% maiores em bebês que tomaram antiácidos.
Já para bebês que tomaram antibióticos no mesmo período, as chances de desenvolver asma dobraram e foram ao menos 50% mais altas para anafilaxias e febres.
"Esses remédios são considerados, em geral, inofensivos, e comuns a seres prescritos para crianças que cospem muito", disse o pesquisador chefe Edward Mitre, da Universidade Uniformed Services em Bethesda, Maryland, nos Estados Unidos. "Nós devemos ser um pouco mais cautelosos ao prescrever esses medicamentos", disse.
O interesse de Mitre nesse assunto começou quando ele teve seu segundo filho. Um pediatra sugeriu um antiácido porque o bebê chorava muito quando estava deitado com as costas para baixo. "Nós não demos, ele não tinha um refluxo muito grande", relembra.
No estudo, os pesquisadores alertam que é possível que os medicamentos foram dados para crianças que já tinham alergias e não haviam sido diagnosticados. Entretanto, isso não é suficiente para explicar todos os efeitos que eles viram, porque as bactérias do estômago desempenham papéis importantes no sistema imunológico.
"Antibióticos e antiácidos podem mudar o microbioma dos bebês, talvez de forma suficiente para causar uma reação no sistema imunológico que causa uma alergia", diz Mitre. Antiácidos também mudam o jeito que as proteínas são digeridas e algumas podem até alterar o desenvolvimento do sistema imunológico. O co-autor do estudo, o médico Cade Nylund, sugeriu que os pais deem menos quantidade de comida para os bebês que costumam ter muito refluxo.

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