Depois de passear na coluna anterior pelos vinhos clássicos e tradicionais da Argentina, continuamos nossa viagem na direção dos vinhos de estilo moderno (versão 2.0), cujo foco principal foi conquistar espaço no mercado internacional, sobretudo o americano, ávido por rótulos de perfil frutado e paladar intenso, aquilo que se convencionou chamar “Estilo Parker”.
O marco dessa nova versão de vinhos argentinos se deu no começo dos anos 1990, quando o jovem economista Nicolas Catena Zapata retorna da Califórnia. Seu desejo era transformar a tradicional bodega de sua família numa referência de qualidade na produção de vinhos, orientando-se agora pelos preceitos vínicos que ele vivenciou nos EUA, particularmente no Napa Valley.
Não demorou muito tempo para que seus vinhos, elaborados com as castas Cabernet Sauvignon, Malbec e Chardonnay, chamassem a atenção. Em 1994, o Catena Malbec foi eleito por um jornal americano como o melhor da Argentina e, alguns anos mais tarde, o Nicolas Catena Zapata 1997 (elaborado com Cabernet Sauvignon e uma pitada de Malbec) ganha o reconhecimento como um dos grandes tintos do mundo, capaz de rivalizar (e vencer) rótulos consagrados dos EUA, França e Itália.
A partir dos êxitos obtidos pelos vinhos da Catena Zapata, começou um intenso processo de modernização vinícola no país, capaz de atrair grandes investimentos de vinícolas americanas e europeias, dispostas a fazer aquisições ou parcerias com bodegas de Mendoza e arredores.
A confiança no sucesso desses novos vinhos era tamanha que foram plantados milhares de hectares de novos vinhedos em diversas regiões da Argentina, da Patagônia (ao sul) até Salta (ao norte), dando origem, num curto espaço de tempo, há algumas das mais modernas vinícolas existentes no país.
Além da pioneira Catena Zapata, nomes como Achaval Ferrer, Cobos, Cheval des Andes, Yacochuya, Chacra e Noemia passaram a ser conhecidos em todo o circuito internacional do vinho, obtendo um sucesso comercial significativo, particularmente no Brasil, com a ajuda dos benefícios fiscais do Mercosul.
Passadas duas décadas desse “boom” vitivinícola inaugurado pela Catena Zapata, o foco ainda segue na direção desses vinhos elaborados para exportação, com estilo frutado e potente (a versão 2.0 mencionada acima), baseados sobretudo na Malbec, a casta emblemática da Argentina.
Por sua vez, a Catena Zapata segue na liderança da produção de grandes rótulos nesse estilo moderno de vinificação, mas graças ao talento e olhar acurado de Laura Catena e Alejandro Vigil, enólogos responsáveis pela vinícola, ela segue na vanguarda da vitivinicultura do país, sempre apresentando vinhos de qualidade superior, especialmente aqueles advindos do privilegiado vinhedo Adrianna, em Gualtallary, uma das áreas mais nobres do Vale de Uco, situado ao sul de Mendoza.
Na quarta e última parte dessa série sobre os vinhos da Argentina, apresentarei um pouco sobre a nova geração (versão 3.0) dos rótulos que vem surgindo por lá nesses últimos anos. Jovens enólogos, com novas ideias, prometem (e já cumprem) uma revolução nos vinhos hermanos. Não perca!
Como não poderia deixar de fazer, indico a seguir alguns rótulos dessa versão 2.0 dos vinhos argentinos que continuam fazendo a cabeça de muitos consumidores. Boa degustação!