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Viagem

Bom Jesus do Norte: usina e cachoeira atraem turistas

Localizada na parte Norte do rio Itabapoana, a cidade fica a uma ponte do estado do Rio de Janeiro

Publicado em 07 de Fevereiro de 2020 às 19:52

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 fev 2020 às 19:52
A queda d'água da cachoeira de Mangaravite é bem alta, o que facilita a prática do rapel Crédito: Luciney Araújo
Quando estamos na produção de nossos destinos do #emmovimentoviaja (quadro do programa Em Movimento na TV Gazeta ES) sempre buscamos as peculiaridades e curiosidades que tornam aquela cidade única dentro de todo o nosso Estado. E com Bom Jesus do Norte não foi diferente! A primeira pergunta surgiu ao olhar no mapa. Pra nossa surpresa, Bom Jesus do Norte não ficava no Norte, mas no Sul do Espírito Santo. O “norte” do nome se explica pelo fato de a cidade ficar na parte Norte do rio Itabapoana. Alguns contam que um prefeito até tentou, há um tempo atrás, mudar o nome da cidade pra Bom Jesus do Sul, mas o povo não deixou.
As ruínas da usina hidrelétrica servem de portal para uma trilha que leva à cachoeira Crédito: Luciney Araújo
Outra particularidade do município é que ele fica a uma ponte do estado do Rio de Janeiro, em Bom Jesus do Itabapoana. Por conta disso, durante todo o dia, o fluxo de pedestres, carros e bicicletas é intenso por ali. Muitos moradores trabalham ou aproveitam opções de comércio do lado de lá, e vice-versa. Aliás, eles quase não dizem que são habitantes de Bom Jesus. Costumam dizer que são do estado do ES ou do estado do RJ, uma forma de facilitar a conversa, já que eles se sentem numa única cidade.
Na festa, acontece a apresentação da banda do Seu Nilo, a Lira Operária Bonjesuense Crédito: Luciney Araújo
Um fato histórico e triste, mas que formou muito do que a cidade é hoje, é que Bom Jesus do Norte já sofreu muito com enchentes. Vários moradores perderam seus bens e isso fez com que muitos deixassem o lado capixaba e fossem morar no lado carioca. Muitas casas já se adaptaram pra enfrentar as chuvas, construindo muros altos, como a da família que nos recebeu na cidade pra passar a noite. Apesar de ser de interior, com pouco mais de 10 mil habitantes, a cidade é movimentada, com pouquíssimas pessoas vivendo na zona rural. Aliás, no lugar há uma área ainda pouco explorada pelos próprios moradores. Apesar de ser considerada uma “cidade-dormitório”, achamos algumas boas opções pra você colocar na agenda e conhecer.

O que fazer

Já que estamos no verão, que tal sair da zona de conforto e conhecer um lugar desconhecido pelos próprios moradores da cidade, praticamente inexplorado? Um dos passeios é a antiga usina e Cachoeira de Mangaravite, que reúne história, mistério e belíssimas paisagens.
As ruínas de arquitetura da usina hidrelétrica (1930) servem de portal pra explorar uma trilha mais aventureira sobre tubulações antigas que levam a cachoeira. “Isso aqui é o começo da região. O progresso de Bom Jesus começou aqui”, diz seu Manoel Mangaravite, que trabalhou no local.
O repórter do Em Movimento, Diego Araujo, aproveitou pra mergulhar na água gelada da cachoeira de Mangaravite e recarregar as energias Crédito: Luciney Araújo
É um lugar lindo pra admirar a paisagem, tomar um bom banho e ainda praticar esportes radicais, como rapel. “Aqui é pouco explorado. As próprias pessoas da cidade desconhecem. Quando a gente chama alguém daqui pra vir, eles ficam se perguntando onde que é, e olha que fica só a 7 quilômetros do centro”, reflete o guia Toni da Silva, que sempre faz aventuras pelas bandas de lá.

Festa

A festa da cidade, sempre no final de abril, é um capítulo à parte. Isso porque acontece a apresentação da banda do Seu Nilo, a Lira Operária Bonjesuense. Se você tá se perguntando porque isso é algo interessante, imagina só a cena: uma banda sai de madrugada pelas ruas da cidade acordando todo mundo, como se fosse um carnaval fora de época.
A festa da cidade é um capítulo à parte, e acontece sempre no final de abril Crédito: Luciney Araújo
Além disso, a banda é comandada pelo Seu Nilo, um senhorzinho de 86 anos, simpático e que há mais de 40 anos comanda a banda, formada por moradores da cidade de Bom Jesus do Norte e de Bom Jesus do Itabapoana. “Eu toco desde 52, é o prazer de gostar de música que me mantém a frente da banda”.
O legal é que as pessoas da cidade ficam esperando por isso, elas não ficam bravas. Elas acordam mesmo, saem nas janelas e ainda vão atrás da banda, felizões. “O bom de interior é isso. Todo mundo ama, vai pra janela pra ver passar e aplaudir”.
Se permita participar também das Folias de Reis. É uma das festas mais populares no Estado e em Bom Jesus do Norte é uma tradição local, um ponto de resistência, de orgulho, e que envolve há anos muitas famílias. É de emocionar até mesmo aqueles não ligados à religião.
E, por fim, aproveite que a cidade capixaba é colada numa cidade carioca, e conheça dois estados de uma vez só. É só atravessar a ponte sobre o rio Itabapoana. Dá também pra fazer umas comprinhas no lado do RJ. “É lindo aqui, só de ficar olhando o rio me inspiro para fazer minha arte”, diz a artesã Maria Adélia, que trabalha colada na ponte no lado do ES.

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