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Meio Ambiente

Suzano avança na conexão de áreas de Mata Atlântica e prevê ligar mais 190 mil hectares até 2030

Projeto integra compromisso da maior produtora mundial de celulose de conectar 500 mil hectares de vegetação nativa por corredores ecológicos nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia

Publicado em 04 de Novembro de 2026 às 18:13

Guilherme Marques

Publicado em 

04 nov 2026 às 18:13
Até 2025, a Suzano já havia conectado 214.368 hectares por meio desses corredores (aproximadamente 43% da meta), dos quais 55.366 hectares somente no último ano Divulgação Suzano
A Suzano, maior produtora de celulose do mundo, já trabalha para conectar áreas de vegetação nativa entre o Espírito Santo e a Bahia e prevê ligar mais 190 mil hectares até 2030, como parte de seu compromisso nacional de conectar 500 mil hectares por meio de corredores ecológicos. A iniciativa busca contribuir para a conservação da Mata Atlântica, bioma do qual restam 24% da cobertura original.

Para entender a importância do projeto, é necessário conhecer o problema a se resolver: a fragmentação da Mata Atlântica. Ao longo de décadas de mudança no uso e cobertura do solo, transformando áreas de floresta nativa em áreas agricultáveis, de criação de gado e de expansão urbana, o bioma foi reduzido a pedaços isolados de floresta, cercados por atividades humanas. Quando isso acontece, animais ficam presos a "ilhas de vegetação" e acabam não conseguindo se deslocar para buscar comida, se reproduzir ou escapar de ameaças, o que aumenta o risco de extinção de espécies inteiras.

É justamente para favorecer a conexão entre essas áreas que a Suzano vem investindo na implantação de corredores ecológicos. Na prática, são faixas de vegetação nativa que contribuem para conectar fragmentos florestais, favorecendo o deslocamento dos animais entre áreas preservadas e ampliando as possibilidades de acesso a alimento, reprodução e abrigo. Com o desenvolvimento da vegetação ao longo do tempo, essas conexões podem se consolidar e contribuir ainda mais para a conservação da biodiversidade. A empresa afirma acompanhar a evolução das áreas restauradas por meio de monitoramento de fauna e flora, mas ainda sem resultado quantitativo fechado.

Segundo Tiago Pereira, consultor de Sustentabilidade da Suzano, a meta local integra um compromisso nacional de conectar 500 mil hectares (aproximadamente 700 mil campos de futebol) por corredores ecológicos até 2030, somando as áreas onde a empresa opera nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia. Até 2025, a companhia já havia conectado 214.368 hectares por meio desses corredores (aproximadamente 43% da meta), dos quais 55.366 hectares somente no último ano, segundo o Relatório de Sustentabilidade da empresa.

A conta soma o tamanho total dos fragmentos de vegetação nativa que passam a ficar ligados pelo corredor, não apenas o trecho restaurado entre eles. "Se tenho um fragmento com 10 mil hectares e outro com 20 mil e faço um corredor entre os dois restaurando 100 hectares, eu reporto 30 mil hectares conectados", exemplifica.

No Espírito Santo, o projeto mais avançado é batizado de Corredor Central da Mata Atlântica, considerado um dos trechos mais relevantes para conservação de biodiversidade do país. A maior parte do trajeto passa por terras da própria Suzano, mas não toda. 

"Tem também áreas de terceiros, então existe todo esse trabalho de negociação, de convencimento, de diálogo, às vezes com a comunidade, com proprietários desses locais onde os corredores passam", explica o engenheiro florestal e analista de Licenciamento Ambiental Sênior na Suzano, Guilherme Moro Neto.
Fragmentação da Mata Atlântica

A urgência do projeto tem explicação na história recente do bioma. A Mata Atlântica é um dos cinco maiores hotspots de biodiversidade do mundo (termo usado para designar regiões que concentram grande diversidade de espécies e estão sob forte ameaça de desaparecer) e chegou a cobrir cerca de 1,3 milhão de km² no país. Para se ter ideia dessa dimensão, a área corresponde a 130 milhões de hectares ou 1,8 bilhão de campos de futebol.

Hoje, restam apenas 24% de remanescentes da cobertura original, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o bioma desde 1985. Desse total, pouco mais da metade, 12,4%, corresponde a florestas maduras, áreas consideradas mais preservadas e estratégicas.

Aprofundando o olhar, é possível observar o papel particular que o Espírito Santo exerce neste cenário. O Estado é um dos únicos três do país que é coberto exclusivamente pela Mata Atlântica, o que significa que o ES já foi inteiramente coberto pelo bioma. Ainda assim, a mata nativa em território capixaba está estabilizada em torno de 20% de cobertura há mais de 30 anos, segundo o Inpe.

Uma das reservas florestais mais importantes do Estado fica localizada no Norte, denominada Reserva Biológica de Sooretama, com 27,8 mil hectares, somada à Reserva Natural Vale, com cerca de 23 mil hectares, e a duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Juntas, elas formam a Reserva da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, reconhecida pela Unesco em 1999, estendendo-se de Regência, no Espírito Santo, até Una, no Sul da Bahia, da qual o Estado abriga 46% das florestas.

É nesse contexto que a Suzano mantém hoje 109 mil hectares de área de conservação sob gestão direta da empresa em nível nacional, dos quais 4,9 mil hectares são Áreas de Alto Valor de Conservação (AAVCs), especificamente no Espírito Santo.


*Este conteúdo foi produzido por Guilherme Marques, residentes do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora Giuliane Calvi


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