Um rastro escuro formado por milhares de formigas-cortadeiras tomou conta da areia de praias da Grande Vitória nesta semana. Conhecidas como tanajuras ou saúvas, elas costumam sair das colônias durante o período de reprodução, favorecido pelas chuvas e pela umidade.
O fenômeno foi explicado pelo doutor em Biologia e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Marcelo Teixeira Tavares, em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Gazeta, nesta quarta-feira (7).
Segundo o biólogo, machos e fêmeas deixam as colônias em uma revoada para se encontrar e reproduzir.
Quando eles saem, eles saem numa revoada, saem voando e vão para diferentes direções, se encontrando. Os machos buscando as fêmeas
Marcelo Texeira Tavares Doutor em biologia e pesquisador da Ufes
Como não voam por longas distâncias, as formigas podem ser levadas pelo vento e acabar no mar. Depois, são carregadas pela maré até a faixa de areia. Elas também podem ser atraídas pela iluminação. Segundo Marcelo, os insetos não costumam oferecer risco às pessoas em condições normais.
Na praia de Camburi, por exemplo, algumas tanajuras ainda podem ser encontradas vivas na areia. Parte delas, segundo o pesquisador, pode não sobreviver, enquanto outras podem estar em busca de um local para formar uma nova colônia.
Esses animais até podem picar, mas não vão picar assim, como um ninho de abelha, de marimbondo. Não é essa situação
Marcelo Texeira Tavares Doutor em biologia e pesquisador da Ufes
O período de reprodução ocorre geralmente em outubro, no início da temporada de chuvas, quando a umidade deixa o solo mais adequado para a formação de novas colônias. Conforme o pesquisador, o fenômeno deve diminuir nas próximas semanas e as tanajuras voltarão a aparecer em grande quantidade apenas no próximo período de reprodução.