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Opinião da Gazeta

Reforma "remediada" não atacará o fundamental: os privilégios

Planalto desistiu da reforma da Previdência, mas um sistema de aposentadorias menos desigual continua sendo uma necessidade para a recuperação do país

Publicado em 20 de Fevereiro de 2018 às 20:40

Públicado em 

20 fev 2018 às 20:40

Colunista

A reforma da Previdência subiu no telhado. Qualquer mudança que vier ainda neste governo deve ser mero remendo. A redução substancial do rombo bilionário continua sendo imprescindível para recuperar a saúde fiscal e atrair investimentos para colocar o país na rota do crescimento. Mas lamentavelmente vai ficar para depois. Com as aposentadorias à beira do colapso, a intervenção no Rio de Janeiro foi o tiro de misericórdia na reforma que já vinha sendo podada por pressões corporativas de grupos interessados na manutenção de vantagens. E o projeto tampouco contava com os votos necessários à sua aprovação. A impopularidade que o cerca beira a cegueira.

O Planalto tenta remediar a situação, mas de nada adiantará viabilizar alterações via projeto de lei ou medida provisória, principalmente pela incapacidade de atingir o setor público, como se esperava. Os privilégios seguirão intocados, enquanto os trabalhadores da iniciativa privada continuarão com o peso sobre os ombros. A desigualdade nas aposentadorias é brutal, e qualquer reforma justa passa por reduzi-la. Os números estão aí, para quem quiser ver. Em agosto, enquanto o INSS tinha um déficit de R$ 185 bilhões para atender 30 milhões de aposentados e pensionistas, a previdência dos servidores federais apresentava saldo negativo de R$ 75 bilhões, para um milhão de pessoas.

É um revés para a sociedade, que precisa se convencer de que o gasto previdenciário da forma como se apresenta debilita os cofres públicos e prejudica todos os setores. Educação, saúde, segurança, infraestrutura, nada escapa. É uma questão de Estado, não de governo, portanto. A desistência é um fim melancólico para uma jornada inglória de um governo que patina. Consumiu o debate público e acabou em lugar nenhum. Passa a ser, portanto, responsabilidade de quem se consagrar nas urnas neste ano.

 

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