Há uma desproporcionalidade evidente na reação do sargento da PM nas imagens da confusão após uma ocorrência de trânsito, no último domingo, na Avenida Norte Sul, na Serra. Como autoridade policial, deveria estar mais bem preparado para situações como aquela, ao lidar com uma adolescente que oferecia resistência ao ver o próprio pai ser imobilizado por um agente de trânsito. O comportamento agressivo da garota de 14 anos poderia ter sido contido de outra forma, mais educativa e civilizada. Um tapa na cara é inadmissível. É uma violência que só serve para acirrar os ânimos e piorar a situação. E para abalar a imagem da própria corporação.
É importante ressaltar que o sargento, no caso, era uma das partes envolvidas no incidente, não a autoridade policial presente. Estava inclusive fora do horário de serviço. As imagens disponíveis, por si só, não são capazes de solucionar o caso, qualquer julgamento a partir delas é precipitado. Mas nada justifica a reação violenta, naquele momento. O episódio exige investigação rigorosa. Caso se confirme abuso de autoridade, a punição precisa ser exemplar, sem corporativismo de qualquer espécie.
A brutalidade da reação do PM é inaceitável, de qualquer forma. É preciso ter prudência e capacidade de análise, uma garota de 14 anos, afinal, não oferece perigo, há protocolos a serem seguidos. A decisão da Corregedoria da Polícia Militar de não afastar o sargento é temerária, porque há dúvidas sobre sua postura profissional e suas condições psicológicas para continuar nas ruas. Em situações assim, em que um policial é colocado sob suspeição, é sempre melhor prevenir. Para a segurança não só da sociedade, mas também a do próprio sargento.