Muita gente está achando que algum candidato já perdeu ou já ganhou pelas pesquisas que estão sendo publicadas. Muita gente acha que as pesquisas são manipuladas porque os resultados apresentados são diferentes do que acontece na apuração. O fato é que as pesquisas erraram nos Estados Unidos na eleição do Trump, na Inglaterra no caso do Brexit, e no Brasil erram também. A explicação maior é que os eleitores estão mudando muito e definindo voto muito perto do pleito.
Como o descrédito com os políticos é muito grande, as pessoas ou não comparecem para votar ou decidem no final. Isso aparece no grande número de indecisos ou que dizem não votar em ninguém. O fato é que muita coisa pode mudar em relação às pesquisas que estão saindo. Por exemplo, Bolsonaro e Marina têm quase nada de tempo de TV, enquanto Alckmin pode ter metade do tempo de TV com as coligações. Por isso acontece a corrida desenfreada para conseguir apoio de partidos que dão espaço televisivo.
Alguém pode argumentar que ninguém mais assiste TV e tudo acontece nas redes sociais. Não é verdade, senão não haveria anunciantes para novelas. E nas redes sociais você tem que apertar um botão e decidir ouvir o candidato. Na TV você está distraído na novela e o candidato entra na sua casa falando. Você pode achar também que ninguém vê debate porque é muito tarde. Mas os candidatos escolhem seus melhores momentos e repassam várias vezes no seu horário. Quem tiver tempo de TV se dá bem com isso. Por isso é importante saber se o candidato está preparado para responder sobre qualquer tema sem ser com frases feitas apenas e sem consultar assessores. Gaguejou, tropeçou ou se enrolou na resposta, já era, isso vai ser repetido várias noites pelos adversários. E se não comparecer ao debate, a cadeira vazia será mostrada à exaustão. Outro ponto é verificar a estrutura partidária do candidato país afora com uma rede de candidatos a governador, senador, deputado federal e estadual. Quem não tem essa rede de apoio poderia contar apenas com as redes sociais, que ninguém sabe exatamente qual o peso que terão nesta eleição.
Outro ponto para se observar é que, com tantos candidatos, a tendência é de que quem conseguir 17% pode ir para o segundo turno e aí é outra eleição com tempos iguais de TV. Pelas pesquisas um candidato do PT, que não Lula, aparece com índices muito baixos. Porém quando o entrevistado é avisado que ele é o candidato do Lula o índice aumenta muito. É possível que esse candidato alcance os tais 17%, ainda mais se Lula conseguir aparecer na TV, o que está difícil. Marina pode desidratar sem TV ou pode crescer como alternativa ideológica. Ciro pode desidratar sem o apoio do PT no 1º turno, até porque o partido não quer entregar a proeminência que tem na esquerda para alguém da personalidade autoritária de Ciro, que pode se transformar no novo líder da esquerda se eleito.
Pode ainda haver um forte movimento de voto útil, à direita e à esquerda, na reta final, para colocar candidatos dessas vertentes no segundo turno. As redes sociais e o WhatsApp podem ser a grande novidade nesse período, o que deixará doidos os institutos de pesquisa.
Enfim o jogo não começou ainda. Quem está achando que candidatos estão consolidados está mal-informado.