Pablo Ferraço Andreão*
O Dia Mundial da Água traz sempre à tona diversos temas e diferentes visões sobre o assunto. Todas estas visões se entrelaçam necessariamente a um princípio essencial: a sustentabilidade.
Na dimensão ambiental, podemos enumerar como grande prioridade a preservação de toda fonte natural de água, seja rios, lagos, águas subterrâneas e nascentes. Neste sentido, está inserida, também, a manutenção do que ainda temos de florestas, pois sabemos que são essenciais à recarga de nascentes e do subsolo. Soma-se também a recuperação de florestas e matas ciliares, garantindo assim a redução do lançamento de sedimentos nas águas.
A atividade de tratar os esgotos domésticos é uma ação, a longo prazo, para garantia de que teremos água pura no futuro
O Programa Reflorestar, projeto inovador do governo estadual, já recuperou mais de 6 mil hectares de florestas. Outra prioridade é tratar qualquer tipo de poluente para que retorne à natureza de forma adequada. A Cesan tem realizado investimentos significativos, nos últimos anos. Mais de R$ 500 milhões na ampliação da cobertura por redes de coleta de esgoto em busca da universalização. Portanto, a atividade de tratar os esgotos domésticos é uma ação, a longo prazo, para garantia de que teremos água pura no futuro.
Na dimensão social, é essencial a participação de todos. Pessoas, empresas e governos que possuem direitos e deveres em relação à água. Posturas que devem ser adotadas cotidianamente, como, por exemplo: evitar o desperdício em nossas casas, a implantação de sistemas de reúso nas atividades empresariais e as atividades educativas e de controle, responsabilidade também do poder público.
As dimensões ambientais e sociais se completam com a dimensão econômica. É fundamental que exista equilíbrio entre a criação de valor econômico e a criação de valor ambiental. Os recursos são finitos sob o ponto de vista econômico, mas também o são sob o ponto de vista ambiental.
É possível conciliar estas posturas?
No Espírito Santo, a nossa resposta está no maior programa ambiental da história do Estado, que abrange ações nas áreas de recursos hídricos, ampliação da cobertura de esgotamento sanitário e da cobertura florestal. O Programa de Gestão Integrada das Águas e da Paisagem vai sanear as cabeceiras dos rios de municípios da Região do Caparaó, da Região Serrana e da Metropolitana. Um dos principais objetivos é tratar o esgoto sanitário, devolvendo-o ao meio ambiente em condições adequadas, garantindo que rios e lagos fiquem limpos. Captado no rio de volta para o rio! O ciclo precisa se perpetuar.
Com isso, podemos afirmar que a data é hoje, mas a hora é agora, de se fazer um debate pragmático sobre a missão de cada um: sociedade, poder público e empresas; e de dar respostas concretas, pois a água é essencial à vida. Esse é o seu maior valor.
*O autor é presidente da Cesan