Não há nada que justifique a postura autoritária, antidemocrática e sectária do Partido dos Trabalhadores nesse momento crucial para o país. O boicote à posse de um presidente eleito pelo voto popular beira a pirraça. Uma sigla que esteve no poder por mais de uma década deveria estar mais afeita ao jogo democrático, compreendendo inclusive que não é o momento para ânimos inflamados. Marcar presença na cerimônia não significa a aceitação das posições defendidas por Jair Bolsonaro, mas sim o respeito à soberania das urnas, colocando as instituições democráticas acima das diferenças ideológicas.
Perder faz parte do jogo, mas infelizmente o PT não parece aprender com os próprios erros. Pelo contrário, continua seguindo a trajetória de equívocos que marcaram sua própria história, como quando se recusou a assinar a Constituição de 1988 ou fez oposição à implementação da Lei de Responsabilidade Fiscal, dois marcos civilizatórios do país.
Há um lugar a ser ocupado pelo PT hoje, uma posição garantida pela própria democracia para que ela seja praticada de forma saudável: a oposição. Mas não por acaso, por sempre colocar o partido acima dos interesses do país, o PT acabou alijado do bloco formado por PSB, PCdoB e PDT. A autocrítica continua distante.