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Insatisfação

Protestos no Chile mostram que só crescimento econômico não basta

Chile vem de um histórico exitoso de crescimento, mas situação atual expõe necessidade sobretudo de distribuir e incluir. Uma mensagem que também serve para o nosso Brasil

Publicado em 26 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

26 out 2019 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman Orlando Caliman
Vagão de metrô que foi incendiado durante protesto é visto parado na estação Elisa Correa, em Santiago, no Chile, no domingo, 20 de outubro Crédito: ESTEBAN FELIX/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Os protestos que estão acontecendo no Chile não devem ser vistos e interpretados de forma isolada de um contexto mais amplo de movimentos de mesmo teor que vem se alastrando no mundo. E não é de agora. Se bem observarmos, e isso numa escala global de movimentações, vamos verificar que em grande medida raízes mais profundas foram plantadas e gestadas ainda no bojo da crise de 2007-08.
E a raiz mestra, se é que podemos assim chamar, e que vem se transformando em fio condutor da nitroglicerina social que vez e outra eclode aqui e acolá, pode estar na forma como a maioria dos países estruturaram e conduziram as suas respectivas políticas econômicas, mais reativas que construtivas àquela crise. Lembremo-nos do “Occupy Wall Street” – Ocupa Wall Street - em setembro de 2011, em Nova York.
O que se buscava demonstrar ali era a insatisfação, e mais que isso, uma verdadeira indignação em relação a tais políticas, que acabaram penalizando mais fortemente a grande massa da classe média americana, enquanto de outro lado mantinham-se os privilégios aos mais ricos, em especial aqueles do mercado financeiro.
Assim como nos protestos de 2013 no Brasil, o estopim no Chile foi o aumento nas tarifas de transporte público. Eventos bem pontuais. Nos dois eventos, no entanto, o que acabou emergindo, e de forma caótica, mas isso não importa, foram sentimentos de verdadeira revolta, que foram trazidos a público através de um conjunto diversificado e multifacetado de expressões de insatisfação, que acabaram se transformando em inúmeras “bandeiras”. No Brasil, evoluiu para o “impedimento” de Dilma e uma profunda crise política que produziu o cenário que temos hoje na política e por consequência na economia.
O certo é que poucos imaginariam os episódios de protestos como atualmente em curso no Chile. Afinal, aquele país vem de um histórico exitoso de crescimento econômico, já fazendo parte de uma elite privilegiada de economias que ultrapassaram a linha divisória do desenvolvimento, com um PIB per capita que chega a US$ 25.000. Porém, o que se pode depreender desses protestos é que não basta crescer. É preciso sobretudo distribuir e incluir. Uma mensagem que também serve para o nosso Brasil

Orlando Caliman

Orlando Caliman Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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