Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Presidenciáveis apostam em planos econômicos desgastados
Política

Presidenciáveis apostam em planos econômicos desgastados

Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, por isso mesmo qualquer projeto que não vise à redução da desigualdade é no mínimo irresponsável

Publicado em 10 de Agosto de 2018 às 22:45

Públicado em 

10 ago 2018 às 22:45

Colunista

Marcos Ramos*
No dia 9 de setembro de 1982, Drummond publicou em página inteira, com letras garrafais, um poema intitulado “Adeus a Sete Quedas” no “Jornal do Brasil”. O poema manifesta um sentimento de absoluta consternação a propósito da destruição do Salto de Sete Quedas em função do lago da hidrelétrica de Itaipu. Um mês depois da publicação do poema, Drummond volta ao assunto, no mesmo jornal, com a crônica “Sete Quedas poderia ser salva”. Trata-se basicamente da transcrição de uma carta do engenheiro que projetou Paulo Afonso, Octavio Marcondes Ferraz, apresentando ideias preservacionistas: “Aproveitamento, em vez de imolação”, resume poeta.
O poema, triste e contundente, tem como introito duas epígrafes que dão o tom, a primeira, um dístico do simbolista Alphonsus de Guimarães, “Sete damas por mim passaram / E todas sete me beijaram”. A segunda, assinada pelo parnasiano Raimundo Correia, lamenta “Aqui outrora retumbaram hinos”. Em seguida, os versos de Drummond. Transcrevo os mais incisivos: “Sete quedas por mim passaram, /e todas sete se esvaíram./ Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele a memória dos índios, pulverizada (...)/ por mão do homem, dono do planeta. / Aqui outrora retumbaram vozes / da natureza imaginosa, fértil / em teatrais encenações de sonhos / aos homens ofertadas sem contrato. // Sete quedas por nós passaram, / e não soubemos, ah, não soubemos amá-las, /e todas sete foram mortas, / e todas sete somem no ar, / sete fantasmas, sete crimes / dos vivos golpeando a vida / que nunca mais renascerá.”
O Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, por isso mesmo qualquer projeto que não vise a redução da desigualdade é no mínimo irresponsável
O poema de Drummond evoca uma pauta política tão urgente quanto preterida, os impactos do desenvolvimentismo. Os projetos apresentados pelos presidenciáveis no debate do último dia 9 deixam claro que os planos político-econômicos ainda se concentram em uma antítese desgastada, de um lado defensores de um liberalismo econômico (que não dispensa o conservadorismo moral tipicamente latino-americano) e do outro lado a defesa de um intervencionismo estatal moderado como regulador da macroeconomia, sobretudo. Mas, grosso modo, há um ponto comum entre os projetos aparentemente divergentes: ambos apostam em uma política desenvolvimentista como única alternativa para diminuição da desigualdade social.
O Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, por isso mesmo qualquer projeto que não vise à redução da desigualdade é no mínimo irresponsável. O problema é que faz parte do pacto oligárquico que rege esse país a naturalização de que a única forma de fazer isso é produzindo riqueza – o que historicamente tem sido traduzido como esgotamento de recursos naturais. A vantagem desse modelo é óbvia: não tocar no bolso dos ricos. A alternativa é distribuição de renda, taxação de grandes fortunas, fim da instituição da herança. Mas quem quer falar do assunto? Então, que haja, ao menos, poetas.
*O autor é professor e escritor
 

{{ndFunctionFirstNotNull(post.original_author.attributes_map.descricao_de_colunista.value,post.original_author.biography)}}

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

MN foto A Yamaha celebra parceria com a Marvel e o Iron Studios na criação de duas novas motocicletas.jpg
Em parceria com a Marvel, Yamaha lança a FZ15 Deadpool e a Crosser Z Wolverine
Carro roubado há 12 anos na BA é recuperado em rodovia no Sul do ES
Carro roubado há 12 anos na Bahia é recuperado em rodovia no Sul do ES
Trump quer Infantino, presidente da Fifa, como secretário-geral da ONU, diz jornal
Trump quer Infantino, presidente da Fifa, como secretário-geral da ONU, diz jornal

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados